O Tribunal do Júri condenou, na última sexta-feira (14), Adenilson Pereira Rocha a 10 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela tentativa de feminicídio contra sua companheira, Cristina Santos Silva, atacada com diversos golpes de faca em março de 2022. A sentença foi proferida pela juíza Iasmin Leão Barouh, após o Conselho de Sentença reconhecer a autoria e a materialidade do crime.
De acordo com o processo, o ataque ocorreu por volta das 23h do dia 9 de março de 2022, quando a vítima decidiu dormir na casa de uma prima após comunicar ao réu sua intenção de terminar o relacionamento. Inconformado, Adenilson foi ao local, discutiu novamente com Cristina e desferiu cerca de 15 golpes de faca, atingindo regiões vitais do corpo, como tórax e costas. A vítima foi socorrida por familiares e submetida a tratamento intensivo no Hospital Geral do Estado (HGE) em Salvador. Ela ainda apresenta cicatrizes visíveis decorrentes das agressões.
Na sentença, o Judiciário destacou a extrema violência empregada, a frieza demonstrada pelo agressor e o elevado grau de reprovabilidade da conduta. O crime, cometido em ambiente doméstico, durante a noite e na presença de outras pessoas, aumentou o risco a terceiros e reforçou a incidência da qualificadora de feminicídio. Embora o réu tenha confessado parcialmente os fatos, a atenuante foi compensada por agravantes previstas no Código Penal.
A pena final foi estabelecida em 10 anos e 8 meses, e a juíza determinou a execução imediata da condenação, decretando a prisão de Adenilson e seu encaminhamento ao presídio. O réu foi isentado das custas processuais por ser assistido pela Defensoria Pública. O caso reafirma a importância do Tribunal do Júri no combate à violência contra a mulher e à tentativa de homicídio em contexto de violência doméstica.