Geral Lizandra Monteiro
Há datas que não pertencem apenas ao calendário; pertencem ao sentimento.
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19/11/2025 14h57
Por: Keila Abreu Fonte: Lizandra Monteiro
Divulgação

O dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é uma dessas datas que nos pedem mais do que lembrança: pedem presença, escuta e verdade.Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil é formado por uma maioria negra: 112,7 milhões de pessoas, cerca de 55,5% da população. Na Bahia, esse dado pulsa ainda mais forte: 22,4% da população se declara preta, 56,9% parda e apenas 18% branca.

A Bahia é, oficialmente, o estado mais negro do país e, afetivamente, o que mais honra essa presença, principalmente quando falamos das mulheres! Nessas minhas andanças pela Bahia, aprendi que pensar na mulher negra se torna essencial. São, em sua maioria, mulheres que sustentam economias, famílias, territórios e saberes. Mulheres que enfrentam as camadas mais duras da desigualdade e, ao mesmo tempo, seguem sendo fontes de criação, inteligência e transformação.

Como afirma a pesquisadora baiana Carla Akotirene Santos, em O que é Interseccionalidade? (2019): “a interseccionalidade visa dar instrumentalidade teórico-metodológica à inseparabilidade estrutural do racismo, capitalismo e cis-heteropatriarcado”. Uma frase-farol para entender por que as mulheres negras vivem os cruzamentos mais violentos da opressão e, ainda assim, os ultrapassam com potência.
Estar na Bahia me ensinou isso de perto. Sou uma mulher branca, e aqui fui acolhida com um afeto que me atravessa. Há nesse acolhimento uma generosidade ancestral, uma partilha de humanidade que me emociona e me ensina a cada dia. É um gesto de confiança que me honra e me responsabiliza. Temos muito a aprender!

Neste 20 de novembro, penso que celebrar a Consciência Negra é celebrar, sobretudo, a mulher negra: sua força, sua história, sua inteligência, sua beleza e seu direito absoluto de existir sem ter que resistir o tempo inteiro. E, para nós, pessoas brancas, é também reconhecer: há muito a aprender, reparar e honrar. A Bahia me ensinou pela voz de suas mulheres. A teoria de Akotirene me ensinou pela palavra. E ambas me lembram que consciência não é um feriado: é um compromisso diário. Para nós, pessoas brancas, isso significa escutar mais, ocupar menos espaço, apoiar políticas de reparação e amplificar vozes negras. Eu te convido a firmar esse compromisso comigo hoje, amanhã e todos os dias que virão.
Nos vemos no próximo mês!

Lizandra Cruz Monteiro