O motorista de carreta Dener Laurito dos Santos, de 52 anos, confessou à Polícia Civil que inventou o suposto assalto e sequestro registrado no Rodoanel Mário Covas no dia 12 de novembro. Ele admitiu que atravessou o caminhão na pista, produziu um artefato explosivo falso e quebrou o próprio para-brisa com uma pedra, alegando que pretendia chamar atenção para o que descreveu como “causa dos caminhoneiros”, fazendo referência a condições de segurança enfrentadas pela categoria.
A confissão ocorreu na Delegacia de Taboão da Serra, após os investigadores confrontarem Dener com imagens do sistema de monitoramento do Rodoanel e da própria carreta. Segundo o delegado Márcio Fruet, não houve abordagem criminosa nem luta física. A polícia verificou que o motorista parou o veículo, desceu para urinar e, em seguida, lançou uma pedra contra o para-brisa antes de posicionar a carreta de forma a bloquear o tráfego.
No primeiro depoimento, Dener afirmou que três criminosos o teriam amarrado e obrigado a deixar o veículo atravessado na pista. Ao ser confrontado com as inconsistências, admitiu ter simulado tudo. Ele relatou que, na noite anterior, enquanto pernoitava em um posto de gasolina na Rodovia dos Bandeirantes, confeccionou a falsa bomba usando materiais que já possuía na cabine, incluindo fio de fone, fita crepe, papel alumínio, água e o tubo de gás usado para cozinhar no fogareiro.
Imagens registraram ainda que a carreta já apresentava manobras suspeitas antes de ser atravessada. Um motorista que trafegava pelo local informou que quase foi fechado pelo caminhão e que não viu qualquer ação criminosa. A polícia destacou que Dener tentou sustentar a versão inicial durante o interrogatório, mas as provas técnicas desmontaram o relato.
O caso provocou a interdição total do Rodoanel na altura do km 44 por cerca de cinco horas, com 40 quilômetros de congestionamento. O Gate, grupo especializado em explosivos, foi acionado e concluiu que o artefato não oferecia risco. Antes da chegada da polícia, motoristas que passavam pelo local encontraram Dener amarrado dentro da cabine e relataram que ele dizia frases desconexas. Ao g1, ele afirmou estar em acompanhamento psicológico e aguarda laudos toxicológicos.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o motorista foi indiciado por falsa comunicação de crime e segue investigado por outros possíveis delitos, como interdição de via pública e geração de pânico com artefato simulado.