A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta segunda-feira (24) o Calendário do Futebol Feminino para 2026, marcando o que a entidade classifica como um salto estratégico para a consolidação da modalidade às vésperas da Copa do Mundo Feminina que o Brasil sediará em 2027. As mudanças representam um investimento total de R$ 685 milhões, com um aumento de 41% nas datas e 84% no número de partidas no calendário nacional.
O presidente da CBF, Samir Xaud, ressaltou que as alterações são resultado de um amplo diálogo com "especialistas, federações, clubes e jogadoras", visando elevar o futebol feminino brasileiro ao patamar que ele merece. A reformulação atinge as principais competições do país.
Mais Vagas e Mais Jogos
O Campeonato Brasileiro Feminino Série A1 será o primeiro a sentir o impacto da expansão. O número de equipes participantes passará de 16 para 18 clubes, com disputas programadas para ocorrer entre 15 de fevereiro e 4 de outubro. O aumento de vagas no calendário nacional totaliza 69%, refletindo o esforço em profissionalizar a modalidade em mais estados e abrir espaço para o crescimento de novos times no cenário de elite.
A Copa do Brasil Feminina também terá seu formato significativamente ampliado, com o número de confrontos subindo de 64 para 72 jogos. O torneio envolverá 66 clubes das 27 unidades federativas do país e será disputado entre 22 de abril e 15 de novembro. A principal alteração estrutural da Copa do Brasil reside na adoção do sistema de ida e volta a partir das quartas de final até a decisão, aumentando a competitividade e o apelo das fases eliminatórias.
Supercopa e Foco na Base
Com a ampliação da Copa do Brasil, a Supercopa Feminina passará a adotar o modelo existente no futebol masculino: a disputa envolverá apenas o vencedor da Série A1 do Brasileiro e o campeão da Copa do Brasil. O título será definido em partida única, marcada para o dia 8 de fevereiro.
Outro pilar da estratégia é o investimento no futebol feminino de base, garantindo um fluxo contínuo de talentos e o desenvolvimento de futuras gerações de atletas.
Apoio Inédito às Mães
O anúncio de maior impacto social e de valorização humana das atletas é o apoio inédito às atletas mães e lactantes. A CBF garantiu que as jogadoras terão a oportunidade de levar os filhos em viagens, com todos os custos de deslocamento e estadia pagos pela entidade.
Essa medida não apenas oferece um suporte logístico essencial, mas também representa uma ruptura com práticas históricas de desincentivo à maternidade no esporte de alto rendimento. O apoio às atletas mães é um reconhecimento de que as jogadoras precisam de um ambiente de trabalho mais inclusivo, permitindo a conciliação entre a carreira profissional e a vida familiar. Essa iniciativa é considerada crucial para o fomento e a consolidação da modalidade em um cenário que exige igualdade de condições para o desenvolvimento pleno das atletas.
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