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Glauber Braga ocupa cadeira do presidente da Câmara e é retirado à força por policiais
Deputado protestou contra sua possível cassação. Em decisão inédita, Câmara cortou sinal da TV e impediu a imprensa de acompanhar o tumulto no plenário.
09/12/2025 22h47 Atualizada há 7 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: G1
Foto: Reprodução

O deputado federal Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro, foi retirado à força da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados por policiais legislativos nesta terça-feira (9). Ele ocupava a cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta, e se recusava a deixar o local, o que gerou um tumulto que mobilizou parlamentares e agentes de segurança.

O protesto foi motivado pela possível cassação de Braga, acusado de quebra de decoro por agredir um militante em abril de 2024. A ocupação durou duas horas. Durante o tumulto, a TV Câmara cortou a transmissão ao vivo e jornalistas foram retirados do plenário pelos policiais legislativos.

As imagens do episódio foram registradas por celulares, muitos de parlamentares. Segundo relatos, por volta das 15h30, Glauber Braga sentou na cadeira de Motta e conduziu a sessão chamando deputados para discursar. Ele deixou o assento e retornou por volta das 16h, anunciando que não sairia mais, em desacordo com o regimento interno.

Na confusão, a deputada Célia Xakriabá, também do PSOL, caiu. Sâmia Bomfim, deputada do PSOL e mulher de Glauber, tentou impedir que ele fosse removido. O terno de Braga foi rasgado. Após a retirada, Motta afirmou que o deputado desrespeitou a Câmara e determinou apuração sobre possíveis excessos cometidos pela segurança contra a imprensa.

Horas antes, Motta havia anunciado que colocaria em votação ainda neste ano o pedido de cassação de Glauber Braga. A perda do mandato foi aprovada pelo Conselho de Ética em abril e aguardava a análise do plenário. Na época do julgamento inicial, Braga fez uma greve de fome de mais de uma semana, encerrada após acordo com o presidente da Casa.

Depois de anunciar que não sairia da cadeira, os policiais legislativos iniciaram o esvaziamento do plenário. A imprensa foi retirada e impedida de registrar a confusão. O sinal da TV Câmara foi cortado às 17h34. A assessoria da presidência informou inicialmente que a ordem partira de Motta, mas depois recuou e afirmou que se tratava de protocolo.

Entidades como Fenaj, Abratel, ANJ, Aner e Abraji repudiaram o cerceamento ao trabalho da imprensa e as agressões aos profissionais. Após ser removido, Braga criticou a restrição ao trabalho dos jornalistas e afirmou: "A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara, Hugo Motta, foi que ele tivesse 1% do tratamento para comigo que teve com aqueles que sequestraram a mesa diretora da Câmara por 48 horas por dois dias em associação com um deputado que está nos Estados Unidos conspirando contra o nosso país".

A ocupação citada pelo deputado ocorreu em agosto, quando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam o Congresso em protesto contra a prisão domiciliar de Bolsonaro e pela votação de um projeto de anistia relacionado aos atos golpistas.

Acronologia registrada mostra que às 16h04 Braga ocupou a cadeira da presidência, às 17h34 o sinal da TV Câmara foi interrompido e o plenário foi esvaziado, e às 18h08 o deputado foi retirado à força da Mesa Diretora.

Após o episódio, Motta declarou que a cadeira da presidência pertence à República e ao povo brasileiro, e que nenhum parlamentar pode utilizá-la como instrumento de intimidação ou desordem. Ele classificou Braga como reincidente e justificou a ação da Polícia Legislativa com base em ato que autoriza a suspensão do acesso ao plenário por motivo de segurança.