O cantor Lindomar Castilho morreu aos 85 anos neste sábado (20). Ícone da música romântica brasileira nas décadas de 1970 e 1980, o artista teve a trajetória atravessada por um dos crimes mais chocantes da história da música nacional, o assassinato da ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, durante um show em São Paulo, em 1981.
Natural de Santa Helena de Goiás, Lindomar construiu carreira de grande popularidade com canções como Você É Doida Demais e Eu Amo a Sua Mãe, tornando-se um dos artistas mais vendidos do país. Nos anos 2000, sua voz voltou a ganhar projeção ao ser usada na abertura da série Os Normais, da TV Globo, apresentando o repertório a uma nova geração.
O episódio que marcou definitivamente sua imagem ocorreu em 30 de março de 1981. Eliane de Grammont se apresentava em um café na região da Bela Vista, em São Paulo, quando Lindomar entrou no local e atirou pelas costas da cantora. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O músico que a acompanhava também foi baleado e sobreviveu.
O relacionamento do casal era marcado por conflitos, ciúmes e relatos de agressões. Após a separação, a retomada da carreira de Eliane teria intensificado ameaças feitas por Lindomar. Preso em flagrante, o cantor foi julgado e condenado a 12 anos de prisão. O caso ganhou repercussão nacional por envolver a tese da legítima defesa da honra, argumento posteriormente rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal.
A morte de Eliane de Grammont transformou a cantora em símbolo da luta contra o feminicídio, enquanto a trajetória de Lindomar permaneceu associada ao contraste entre o sucesso artístico e o crime.