A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou uma manobra contábil nos Correios que teria reduzido artificialmente um passivo trabalhista bilionário nos demonstrativos financeiros da estatal. As informações foram reveladas em reportagem do Metrópoles.
Segundo a CGU, a empresa teria registrado uma compensação sem respaldo nas normas contábeis, diminuindo uma dívida estimada em cerca de R$ 1 bilhão para apenas R$ 18 no balanço. O órgão aponta falhas nos controles internos e inconsistências nos cálculos utilizados para justificar a redução.
Os valores questionados envolvem 18 ações coletivas trabalhistas movidas por sindicatos e empregados, que cobram diferenças salariais acumuladas ao longo dos anos. Mesmo sem decisões judiciais definitivas, cada ação passou a ser registrada com valor simbólico de R$ 1.
A estatal alegou que poderia compensar essas ações com créditos de outro processo judicial relacionado ao adicional de periculosidade. No entanto, de acordo com a CGU, essa compensação foi registrada antes de qualquer decisão final da Justiça, o que contraria princípios contábeis e pode mascarar a real situação financeira da empresa.
A reportagem do Metrópoles destaca ainda que os Correios atravessam uma grave crise financeira. Diante das irregularidades, a CGU recomendou a revisão imediata dos registros contábeis, para garantir transparência e fidelidade nas informações divulgadas pela estatal.