O ano de 2025 esteve entre os três mais quentes já registrados no planeta, segundo informou a Organização Meteorológica Mundial nesta quarta-feira (14). Dados consolidados por instituições internacionais indicam que as temperaturas médias globais permaneceram acima de 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial pelo maior intervalo desde o início dos registros climáticos.
A Organização Meteorológica Mundial informou que, dos oito conjuntos de dados climáticos analisados, seis classificaram 2025 como o terceiro ano mais quente da série histórica, enquanto dois o apontaram como o segundo mais quente em um registro de 176 anos. Entre as instituições estão o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo e o serviço meteorológico nacional do Reino Unido.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos também confirmou que 2025 foi o terceiro ano mais quente em seu banco de dados global, que reúne informações desde 1850. Segundo a OMM, todos os conjuntos de dados analisados indicam que os últimos três anos foram os mais quentes já registrados, sendo 2024 o ano de maior temperatura média global.
As diferenças entre as classificações refletem metodologias distintas, que incluem medições por satélite e dados de estações meteorológicas. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo informou que o planeta atravessou, pela primeira vez, um período de três anos consecutivos com temperatura média global 1,5 grau Celsius acima da era pré-industrial.
“1,5°C não é um precipício. No entanto, sabemos que cada fração de grau é importante, especialmente para o agravamento de eventos climáticos extremos”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no ECMWF, que também projeta 2026 entre os cinco anos mais quentes do planeta.
De acordo com o ECMWF, o aquecimento global de longo prazo já está cerca de 1,4 grau Celsius acima da era pré-industrial. Em medições anuais, esse limite foi superado pela primeira vez em 2024. A NOAA informou que, em 2025, a temperatura média global ficou 1,34 grau Celsius acima do nível pré-industrial e que o calor acumulado no oceano superior atingiu um recorde, contribuindo para tempestades mais intensas, chuvas extremas e elevação do nível do mar.
Cientistas alertam que a superação prolongada do limite de 1,5 grau Celsius tende a intensificar ondas de calor, tempestades e inundações. Em 2025, incêndios florestais na Europa registraram emissões recordes, e estudos associaram eventos extremos às mudanças climáticas, como o furacão Melissa no Caribe e as chuvas de monções no Paquistão, que deixaram mais de mil mortos.
“Estamos fadados a ultrapassá-lo”, disse Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia. “A escolha que temos agora é como gerenciar melhor a inevitável superação e suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais.”