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Turista presa por injúria racial em Salvador é solta após audiência de custódia
Gaúcha foi detida após ofender e cuspir em comerciante negra no Pelourinho e responderá em liberdade provisória
23/01/2026 23h19 Atualizada há 5 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

A turista do Rio Grande do Sul presa por suspeita de injúria racial em Salvador foi colocada em liberdade provisória nesta sexta-feira (23), após audiência de custódia. Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, havia sido presa na quarta-feira (21), no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana, depois de proferir ofensas racistas e cuspir em uma vendedora ambulante negra durante um evento gratuito realizado na Praça das Artes.

Durante a audiência, a defesa solicitou o relaxamento da prisão, alegando ausência de materialidade do crime e inexistência de flagrante. A Justiça considerou que os elementos colhidos na investigação demonstraram as duas situações, mas decidiu pela liberdade provisória, acompanhando o posicionamento do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que defendeu a adoção de medidas substitutivas à prisão.

Na decisão, o juiz determinou medidas cautelares, entre elas o comparecimento a todos os atos do processo quando intimada, a atualização de endereço nos autos, a apresentação bimestral em juízo por um ano, a proibição de se ausentar da Comarca de Porto Alegre por mais de 10 dias sem autorização judicial, a proibição de acesso ou frequência à Praça das Artes, no Pelourinho, e a proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas. O g1 informou que tentou contato com a defesa da investigada, mas não obteve retorno até a última atualização.

O crime ocorreu durante um evento gratuito na Praça das Artes. Em entrevista à TV Bahia, a comerciante identificada como Hanna relatou que foi chamada de "lixo" pela turista e, ao questionar a ofensa, ouviu novamente a mesma expressão, além de ter sido alvo de uma "escarrada". Segundo a vítima, a mulher ainda dizia: "Eu sou branca". A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).

Após o registro da ocorrência, Gisele foi levada à Decrin, onde, conforme a polícia, manteve conduta discriminatória e solicitou atendimento exclusivo por um delegado de pele branca. A investigada se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo para viajantes e estava em Salvador há pelo menos sete dias, período em que participou da Lavagem do Bonfim e publicou imagens com baianas e integrantes do Filhos de Gandhy, além de registros em shows e eventos culturais na capital baiana.