O que era para ser um momento de fé, tradição e celebração acabou sendo marcado por embates políticos logo no início da Lavagem de Monte Gordo, realizada nesta sexta-feira (23), em Camaçari. A presença de lideranças da oposição acendeu o estopim de uma confusão que expôs o acirramento do cenário político local em pleno evento popular.
O ex-prefeito de Camaçari e pré-candidato a deputado estadual, Elinaldo Araújo (União Brasil), afirmou que integrantes do grupo político ao qual pertence, conhecido como Time Azul, foram direcionados para fora do fluxo principal do cortejo. Segundo ele, a ação teria ocorrido de forma deliberada, com o objetivo de reduzir a visibilidade da oposição durante a caminhada religiosa.
Com o aumento do desconforto entre os participantes, a Polícia Militar foi acionada e montou uma barreira de contenção, posicionando o grupo em uma área lateral do trajeto. Para aliados de Elinaldo, a medida soou como uma interferência política em um espaço que, tradicionalmente, reúne pessoas de diferentes crenças, posições ideológicas e partidos.
Cercado por vereadores, lideranças comunitárias e apoiadores, Elinaldo não poupou críticas à administração municipal e classificou o episódio como uma tentativa de cerceamento político em um evento que deveria ser marcado pela união.
“O governo tentando criar uma ditadura, não respeitando as regras, mas graças a Deus, com um bom diálogo e com a Polícia Militar, conseguimos organizar e estamos seguindo o nosso cortejo com muita fé. Pedindo ao nosso padroeiro que esse ano seja um ano de saúde, paz, prosperidade para todos os brasileiros. Deus nos abençoe”, afirmou.
Mesmo após o episódio, o grupo permaneceu no local e seguiu no percurso da Lavagem. Para os integrantes do Time Azul, a participação no evento representou não apenas um ato de fé, mas também uma demonstração de resistência e do direito de ocupar espaços públicos em manifestações que fazem parte da cultura e da história de Camaçari.