Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo (25), trouxe novos detalhes sobre o caso do empresário Sérgio Nahas, preso no último sábado (17) na Praia do Forte, litoral de Mata de São João. Condenado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em 2002, ele estava foragido da Justiça e foi identificado pelo sistema de reconhecimento facial da Secretaria da Segurança Pública da Bahia.
A reportagem relembrou o crime ocorrido em 14 de setembro de 2002, no apartamento do casal, em um bairro nobre de São Paulo. Fernanda Orfali, então com 28 anos, havia se casado havia seis meses com Sérgio Nahas, de 38. Poucas horas antes de morrer, ela esteve na casa do irmão Alexandre e demonstrou angústia. Segundo a família, Fernanda pretendia se separar, já havia preparado as malas e chegou a ligar pedindo ajuda durante uma briga com o marido.
Alexandre relatou à reportagem que foi avisado pelo irmão mais velho, Júlio, após Fernanda ligar pedindo socorro. Ao chegar ao apartamento, Fernanda já estava morta, vítima de um disparo no coração. Ele afirmou que Sérgio se mostrava extremamente agitado e não demonstrava reação compatível com a morte da esposa. A arma usada era de propriedade do empresário, não tinha registro e, segundo a polícia, havia outras armas irregulares no local.
Na época, Sérgio Nahas alegou que Fernanda teria cometido suicídio dentro do closet, versão rebatida pelas investigações da Polícia Civil e pelo Ministério Público. De acordo com a apuração, o empresário arrombou a porta do cômodo e atirou contra a esposa após ser confrontado. Uma promotora de Justiça ouvida pelo Fantástico afirmou que Fernanda havia descoberto traições, uso de drogas e ameaçava tornar os fatos públicos, o que teria motivado o crime, além do temor de divisão de bens em um eventual divórcio.
Peritos confirmaram que não havia resíduos de pólvora nas mãos da vítima e que os tiros não poderiam ter sido disparados por ela. Sérgio chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas respondeu ao processo em liberdade. O julgamento só ocorreu em 2018, quando ele foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto. Posteriormente, a pena foi aumentada para oito anos e dois meses em regime fechado, decisão confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em junho de 2025, quando se esgotaram todos os recursos.
Com a expedição do mandado de prisão, Sérgio passou a ser considerado foragido até ser localizado na Bahia, hospedado em um condomínio de luxo na Praia do Forte. Com ele, a polícia apreendeu cocaína e três celulares. Em nota, a defesa afirmou que o empresário já morava no estado antes do mandado, citou problemas de saúde e recursos ainda em análise. Para a família de Fernanda, ouvida na reportagem, a prisão representa alívio após mais de duas décadas de espera e a sensação de que, enfim, a Justiça foi feita.
Confira a reportagem na íntegra