Política em Foco Política
Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski já como ministro
Contrato de R$ 250 mil do escritório de Lewandowski com Master continuou por 21 meses após ida dele para o Ministério da Justiça
26/01/2026 21h03 Atualizada há 5 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Metrópoles
Breno Esaki/Metropóles

O escritório de advocacia da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski manteve contrato de consultoria jurídica com o Banco Master por 21 meses após ele assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024. O acordo, firmado em agosto de 2023, previa pagamento mensal de R$ 250 mil e resultou em cerca de R$ 6,5 milhões brutos ao escritório, sendo R$ 5,25 milhões após a ida de Lewandowski ao governo.

O contrato entre o Banco Master e o Lewandowski Advogados foi assinado em 28 de agosto de 2023 e os pagamentos seguiram até setembro de 2025. Segundo apuração da coluna, a contratação atendeu a uma indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que confirmou ter sugerido o nome de Lewandowski ao banco.

Ao assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Lewandowski deixou formalmente a sociedade de advogados em 17 de janeiro de 2024. Desde então, o escritório passou a ter como sócios seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski.

O objeto do contrato era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Entre as atribuições previstas estava a participação em reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master. De acordo com a apuração, Lewandowski participou de apenas duas reuniões durante todo o período contratual. Após sua ida ao ministério, o escritório passou a ser representado por Enrique de Abreu Lewandowski, que, segundo a coluna, não realizou entregas consideradas relevantes ao banco, apesar da continuidade dos pagamentos.

Por meio de assessoria, Lewandowski informou que, após deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, retomou a advocacia e prestou serviços ao Banco Master. Em nota, afirmou que, ao aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o MJSP, retirou-se do escritório e suspendeu o registro na Ordem dos Advogados do Brasil, deixando de atuar em todos os casos.

Procurado, Jaques Wagner reiterou que indicou Lewandowski ao banco, mas negou ter indicado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que as contratações do Banco Master ocorreram “dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos”.