Durante coletiva de imprensa realizada em Irecê, onde participou do evento SOS Bahia, o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), protagonizou um dos discursos mais agressivos contra o governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em tom exaltado, Ciro classificou o Brasil como um país “podre” e afirmou que a atual política de juros “destrói uma nação”.
Segundo ele, a taxa básica em torno de 15% inviabiliza qualquer atividade produtiva. “Se o governo paga mais em juros do que a indústria, o comércio, a agricultura ou o turismo conseguem lucrar, a economia para”, disparou. Para Ciro, o resultado é a paralisação dos investimentos e o aumento do endividamento da população.
No pronunciamento, o ex-ministro responsabilizou diretamente o governo do PT pelo que chamou de “juros criminosos”, afirmando que cerca de 79 milhões de brasileiros estariam “humilhados” por estarem negativados no SPC. “A culpa não é do povo, é desse modelo que protege banqueiro e destrói gente”, disse.
Ciro elevou ainda mais o tom ao acusar o governo de envolvimento em esquemas de corrupção e citar o caso de aposentados. “Chegaram ao ponto de roubar dinheiro dos velhinhos aposentados. Falta mais o quê?”, questionou, descrevendo o impacto do aumento do custo de medicamentos para idosos.
Outro ponto central do discurso foi o suposto escândalo envolvendo o Banco Master. Ciro afirmou que o caso representa uma “fratura rara” no pacto de poder que, segundo ele, domina o país. “A democracia brasileira é uma mentira grosseira. O poder real é uma associação entre kleptocratas e plutocratas”, declarou.
O pré-candidato também questionou encontros não registrados oficialmente entre o presidente Lula e empresários ligados ao banco, insinuando favorecimentos e conflitos de interesse. No mesmo contexto, citou ministros do Supremo Tribunal Federal, levantando suspeitas sobre contratos milionários envolvendo familiares e escritórios de advocacia, o que, para ele, explicaria o “silêncio constrangedor” das instituições.
Ao encerrar, Ciro afirmou que o Brasil vive sob ameaça de perseguição política contra quem ousa denunciar o sistema. “Eles normalmente andam juntos. Desta vez, algo rachou por dentro. Cabe a nós vigiar para que tudo não acabe em acordo”, concluiu.
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