Geral Feminicídio
Aluno matou professora após rejeição a relacionamento, aponta polícia
Crime ocorreu dentro de sala de aula em faculdade de Porto Velho, suspeito foi preso em flagrante
09/02/2026 21h49
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Crédito: Reprodução

A professora de Direito e escrivã da Polícia Civil Juliana Mattos de Lima Santiago, 41 anos, foi morta a facadas dentro de uma sala de aula do Centro Universitário Aparício Carvalho, em Porto Velho, Rondônia, na noite de sexta-feira (6). Segundo a Polícia Civil, o autor do crime, o estudante João Cândido da Costa Junior, 24, matou a professora após não aceitar a recusa dela em manter um relacionamento além do vínculo acadêmico.

A principal linha de investigação foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (9). De acordo com a delegada Leisaloma Carvalho, responsável pelo caso, a vítima vinha sofrendo investidas do aluno, que desejava um envolvimento amoroso. Conforme a delegada, “o que está apurado até agora é que a vítima estava sofrendo investidas do aluno, que queria ter um envolvimento além da relação professora e aluno. Ele teria tentado várias vezes ter um relacionamento íntimo com ela. A professora, então, alertou que isso não poderia ocorrer, uma vez que é contra os regimentos e normas da faculdade”.

Ao ser preso, João Cândido afirmou ter mantido um relacionamento amoroso com a professora por meses e alegou que percebeu o afastamento dela após a retomada do relacionamento com um ex-namorado. A Polícia Civil descartou essa versão com base em mensagens trocadas entre os dois. Em um dos registros analisados, o estudante escreveu que havia “perdido para a concorrência” após Juliana publicar uma foto com o namorado.

Juliana foi atingida por facadas na região do tórax, com perfurações na altura dos seios, além de um corte profundo no braço direito. A faca utilizada no ataque foi localizada no local e apreendida pelos policiais. O estudante declarou que a arma teria sido entregue a ele pela própria professora dias antes do crime, junto com um doce colocado em uma vasilha, versão que, segundo a Polícia Civil, não possui comprovação.

Após o ataque, o suspeito tentou fugir, mas foi contido por outro estudante, que é policial militar. Ele relatou ter ouvido gritos e barulho de cadeiras quebrando em uma sala próxima e, ao verificar a situação, encontrou a professora ferida e o agressor tentando escapar. O aluno foi imobilizado até a chegada da polícia, que efetuou a prisão em flagrante.

A professora chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos. Juliana Mattos de Lima Santiago cresceu em Salvador, onde estudou, manteve vínculos familiares e de amizade e teve inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia, até 2016. O corpo foi cremado no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, no domingo (8).