Geral Carnaval 2026
TJ-BA suspende liminar e mantém ordem dos desfiles no circuito Barra-Ondina
Decisão em segunda instância derruba determinação que colocava o Bloco Crocodilo na abertura e aponta impactos logísticos caso houvesse mudança às vésperas do Carnaval
15/02/2026 11h54
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça da Bahia concedeu neste sábado (14) efeito suspensivo ao recurso que derrubou a liminar que determinava que o Bloco Crocodilo, comandado por Daniela Mercury, fosse o primeiro a desfilar no circuito Barra-Ondina, em Salvador. Com a decisão, fica mantida a programação oficial previamente definida pelo Conselho Municipal do Carnaval.

A liminar havia sido concedida em mandado de segurança movido pela empresa responsável pelo bloco. Em primeira instância, a Justiça considerou que o Crocodilo, por desfilar de forma ininterrupta há quase três décadas e ter inaugurado oficialmente o trajeto em 1996, teria preferência na ordem de saída com base no critério de antiguidade previsto no regulamento. A decisão determinava que o bloco abrisse os desfiles no domingo (15) e na segunda-feira (16), a partir das 15h30, com trio pipoca, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

Ao analisar o recurso, o desembargador entendeu que não há comprovação inequívoca de direito automático à primeira posição. Avaliou ainda que eventual alteração às vésperas do evento poderia gerar impactos relevantes na logística operacional, nos contratos firmados, na segurança pública e na organização geral da festa, que envolve planejamento integrado entre poder público, entidades carnavalescas e órgãos operacionais. Também considerou que o critério da antiguidade, isoladamente, não é suficiente para justificar a mudança no cronograma já estabelecido.

Com isso, o Bloco Crocodilo permanece em posição intermediária, como ocorreu entre 2015 e 2025. Neste domingo (15), a abertura do circuito ficará com o microbloco Pitico Rex, seguido pelo Olodum, enquanto Daniela Mercury está prevista para sair em sétimo lugar.

Em nota, o Olodum informou que recebeu a decisão judicial como vitória institucional. “Abrir a avenida é uma responsabilidade grande. O Olodum construiu uma trajetória que dialoga com a história do Carnaval e com a luta do povo negro. Recebemos essa decisão com respeito e com o compromisso de fazer um desfile à altura do que o público espera”, afirmou o presidente da banda, Jorginho Rodrigues.

Já o presidente Marcelo Gentil destacou o significado da posição na abertura do circuito. “Essa posição reforça o papel do Olodum na cultura brasileira. Vamos celebrar com organização, com música e com a força da nossa percussão. É um momento de comemoração para a nossa comunidade e para quem acompanha o bloco há décadas”, declarou.

Até o momento, nem a equipe da artista nem a organização do Bloco Crocodilo se manifestaram oficialmente sobre a decisão.