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Cientista brasileira desenvolve vacina que faz paraplégicos voltarem a andar

Pesquisa liderada por Tatiana Sampaio, na UFRJ, estuda a polilaminina, substância autorizada pela Anvisa a iniciar fase 1 de testes clínicos

16/02/2026 19h33 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Crédito: Divulgação
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A pesquisadora Tatiana Sampaio coordena, há quase três décadas, estudos sobre a polilaminina, substância desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, que estimula a reconexão de neurônios lesionados na medula espinhal. Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, autorizou o início da fase 1 de testes clínicos em humanos, etapa que avalia a segurança do tratamento antes de eventual comercialização.

A polilaminina é derivada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, principalmente na placenta. Segundo a pesquisadora, a substância atua como um suporte para que axônios rompidos em lesões medulares voltem a crescer. “Neste momento, não tenho certeza absoluta ainda que estaremos diante de algo espetacular, mas isso é possível”, destacou Tatiana Sampaio.

Estudos preliminares conduzidos pela UFRJ, em parceria com a farmacêutica Cristália, envolveram oito pacientes com lesões medulares completas, classificadas como tipo A. Seis dos participantes recuperaram algum controle de movimentos, resultado que representa 75% do grupo, percentual superior aos 15% observados em dados históricos da literatura científica. A pesquisa foi divulgada como pré-print, sem revisão por pares.

Dois pacientes morreram em decorrência da gravidade das lesões. Um dos participantes apresentou melhora considerada “extraordinária” pelos pesquisadores. A aplicação da substância ocorreu durante procedimento cirúrgico, diretamente na medula espinhal.

A fase 1 aprovada pela Anvisa avaliará a segurança da polilaminina em cinco pacientes com lesão medular completa na região torácica. A aplicação deverá ocorrer em até 72 horas após o acidente. O estudo será realizado em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, USP, e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A reabilitação contará com apoio da AACD.

Apesar de ainda estar em fase experimental, a substância tem sido obtida por alguns pacientes por meio de liminares judiciais. Para Tatiana Sampaio, do ponto de vista científico, o uso fora de protocolos é “errado, inadequado e impróprio”. Ela pondera, contudo, que decisões judiciais consideram também aspectos humanos e a gravidade dos casos.

Especialistas reforçam que o tratamento ainda precisa cumprir todas as etapas regulatórias, incluindo fases 2 e 3, para comprovar segurança e eficácia antes de eventual aprovação para uso amplo.

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