A pesquisadora Tatiana Sampaio coordena, há quase três décadas, estudos sobre a polilaminina, substância desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, que estimula a reconexão de neurônios lesionados na medula espinhal. Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, autorizou o início da fase 1 de testes clínicos em humanos, etapa que avalia a segurança do tratamento antes de eventual comercialização.
A polilaminina é derivada da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, principalmente na placenta. Segundo a pesquisadora, a substância atua como um suporte para que axônios rompidos em lesões medulares voltem a crescer. “Neste momento, não tenho certeza absoluta ainda que estaremos diante de algo espetacular, mas isso é possível”, destacou Tatiana Sampaio.
Estudos preliminares conduzidos pela UFRJ, em parceria com a farmacêutica Cristália, envolveram oito pacientes com lesões medulares completas, classificadas como tipo A. Seis dos participantes recuperaram algum controle de movimentos, resultado que representa 75% do grupo, percentual superior aos 15% observados em dados históricos da literatura científica. A pesquisa foi divulgada como pré-print, sem revisão por pares.
Dois pacientes morreram em decorrência da gravidade das lesões. Um dos participantes apresentou melhora considerada “extraordinária” pelos pesquisadores. A aplicação da substância ocorreu durante procedimento cirúrgico, diretamente na medula espinhal.
A fase 1 aprovada pela Anvisa avaliará a segurança da polilaminina em cinco pacientes com lesão medular completa na região torácica. A aplicação deverá ocorrer em até 72 horas após o acidente. O estudo será realizado em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, USP, e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A reabilitação contará com apoio da AACD.
Apesar de ainda estar em fase experimental, a substância tem sido obtida por alguns pacientes por meio de liminares judiciais. Para Tatiana Sampaio, do ponto de vista científico, o uso fora de protocolos é “errado, inadequado e impróprio”. Ela pondera, contudo, que decisões judiciais consideram também aspectos humanos e a gravidade dos casos.
Especialistas reforçam que o tratamento ainda precisa cumprir todas as etapas regulatórias, incluindo fases 2 e 3, para comprovar segurança e eficácia antes de eventual aprovação para uso amplo.
Susto Carga de madeira cai de caminhão, esmaga carro e deixa motorista ferido em Salvador
Eleições 2026 ACM Neto amplia vantagem sobre Jerônimo em nova pesquisa para o governo da Bahia
Educação Nascidos em maio e junho recebem parcela do Pé-de-Meia, nesta quarta (1º)
Segurança Pública Polícia da Bahia registra redução de 20% das mortes violentas no 1° semestre de 2026
Proposta Senado aprova spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres
Saúde Vacinação de adolescentes de 15 a 19 anos contra o HPV é prorrogada