Em entrevista exclusiva à
Tribuna da Bahia, o ex-prefeito de Mata de São João e pré-candidato ao governo do Estado pelo PSDB João Gualberto mostrou os pontos que defende para serem trabalhados como governador do estado e disse ainda que o que o credencia a brigar pela vaga é o seu passado. O tucano ainda aproveitou para criticar a capacidade de gerenciamento do governador Jaques Wagner e reforçou que a oposição permanece unida na disputa de 2014. "Olha, pelo discurso de todos os pré-candidatos, não tenho dúvidas de que estaremos unidos. Se depender do PSDB, eu quero muito ser candidato, quero me viabilizar como candidato, mas uma coisa é querer e outra é poder. Esse poder não depende da população, mas sim dos arranjos políticos".
Tribuna da Bahia - O que o senhor pretende como pré-candidato doPSDB para o governo do Estado? João Gualberto ?Vários pré-candidatos falariam para melhorar a educação, saúde, mobilidade, segurança pública, etc, porque todo mundo sabe que isso é necessário e que a Bahia está muito mal, mas eu quero usar minha experiência e o que eu fiz de fato em Mata de São João. A Bahia tem 417 municípios e a Bahia e Mata São João é um município da Região Metropolitana pobre. Fui candidato em 2004, ganhei a reeleição, fui reeleito em 2008 e elegemos sucessor em 2012. Então as pessoas podem constatar. Mata de São João é um município relativamente pobre comparado com Camaçari. Nós temos uma educação muito melhor que Camaçari, temos hospitais que funcionam; 13 PSF construídos no meu governo com 100% de cobertura da família; fizemos esgotamento sanitário funcionando feito pelo município e Camaçari, por exemplo, não tem. São municípios próprios, ambos na região metropolitana, mas Camaçari é rico e Mata de São João é pobre. Então com pouco recurso quando comecei a administrar ? a receita do ano anterior a 2004 foi 27 milhões ao ano, deixei com 116 ao ano. As pessoas imaginam que lá tem uma receita fabulosa, mas se você pegar minha meta de receita, 2005 a 2012, é uma meta pequena, 50 milhões, e conseguimos transformar o município com planejamento, com gestão, porque planejar algumas pessoas contratam pessoas e conseguem planejar. Nós transformamos a vida dessas pessoas
E isso que está em discussão na campanha do ano que vem? O senhor acha que a capacidade de gerir bem o estado e os problemas de estado vai estar em discussão? JG ? Deveria ser essa discussão. Não é possível que nos vamos ficar com a discussão do ano passado.?Ah eu sou amigo de Lula, amigo de Dilma e por isso vou transformar a Bahia?. Esse discurso não funcionou. As pessoas não estão percebendo a melhora na Bahia. Nós tínhamos o sexto PIB do Brasil, hoje temos o oitavo. Nós não melhoramos as estradas, pioramos e muito a segurança pública. Veja que a gente tinha 23 assassinatos por cada 100 mil habitantes e agora não temos 41 assassinatos. A educação andando pra trás, é tanto que você não vê nada do governo falando do TOPA. Acho um projeto maravilhoso, que deve ser feito mesmo. Mas o problema da educação não é utópico. Os alunos do ensino médio estão indo pra faculdade, estudando, capacitando para ter um emprego decente. Eu peguei Mata de São João com ensino fundamental com 1.6 e deixei com 4.1. Todos os alunos estudam em escolas novas, motivamos os professores, nós tivemos um projeto de educação. Agora quando os alunos saem do fundamental e vão para o ensino médio ficam nota 3.0. Enquanto eu construí em Mata de São João 27 novas escolas, ele construiu 102 no estado. Então a média dele não é nem uma escola por município. Ele não se preocupou com a educação e, justiça seja feita, nosso estado é o da propaganda, mas não existe. Quando fala de educação só fala do Topa e aí vem com aqueles números malucos de que alfabetizou tantos alunos, mas o governo atual não priorizou a educação.
Então se a gente for colocar um erro e um acerto do governo Wagner, o que é que o senhor aponta de mais impactante? JG ? Com muita honestidade e nenhum sentimento de que foi ruim pra Bahia. Não estou falando isso porque ele é governo e eu sou oposição, mas se você me perguntar qual o legado que Wagner e o PT deixaram durante sete anos para a Bahia eu não sei dizer. A saúde piorou, segurança pública piorou, mobilidade urbana nem se fala, geração de emprego também nem se fala. Quando falam dos projetos, especialmente ponte Itaparica/Salvador, dizendo que tinha um custo de 700 milhões, mas ao certo ninguém sabe.
TB - O governador Wagner vai ter dificuldade de eleger o sucessor? JG ?Olha eu acho que vai ter. Eu tenho viajado pela Bahia toda e sei que ele trabalhou com aquela coisa de ser amigo do Lula, mas acho que a população já entendeu isso e perguntou qual o legado. O que foi feito pelo semiárido? Nada.
TB -Tirando o cenário do governo, vamos falar de oposição. Como pretende se lançar como candidato já que o senhor ainda não é muito conhecido e tem uma penetração muito grande aqui na região metropolitana. JG ? O que me credencia a ser pré-candidato ao governo do estado é o meu passado. Acho que a população que vai me ver e ouvir, precisa ver o meu passado, se estive envolvido em corrupção, se fui gestor e se fiz algo de fato para ajudar a sociedade. Essa deve ser a preocupação. As pessoas estão com mais conhecimento, e nesse momento quero me ajeitar com as lideranças políticas, com os partidos, mostrar minhas experiências e que sou um candidato viável.
TB ? O senhor acredita que existe algum risco da oposição não sair unida? JG ? Olha, pelo discurso de todos os pré-candidatos, não tenho dúvidas de que estaremos unidos. Se depender do PSDB, eu quero muito ser candidato, quero muito governar a Bahia. Quero me viabilizar como candidato, mas uma coisa é querer e outra é poder. Esse poder não depende da população, infelizmente, mas sim dos arranjos políticos e da opinião de todos os partidos. Eu tenho feito esse trabalho, estudo muito a Bahia e seus aspectos para apresentar um plano de governo à população. Gostaria muito de ser candidato, mas isso ainda não sei.
TB ? Qual seria a chapa ideal na sua opinião? JG ? Eu como candidato a governador, Paulo Souto, Aleluia ou Zé Ronaldo na vice, Geddel Senado ou vice-versa. O DEM e o PSDB vice e Senado.
TB ? Se o Geddel Vieira Lima não for lançado governador ele não vai estar na chapa majoritária e provavelmente sairá como deputado federal. Ele fora da chapa majoritária, facilita a chapa? JG ? Olha, não é esse o discurso dele. Ele fala que a oposição vai estar unida. Essa possibilidade eu não vejo como real, pelo que ele tem falado. Eu não acredito nessa possibilidade, mas se for a vontade dele, não temos o que fazer. Espero que ele esteja na chapa. Ele tem vontade que a Bahia tenha mudanças.
TB ? O senhor acredita que o prazo para definir um candidato venha ser depois do Carnaval ou logo agora, já que o candidato do PT foi apresentado à população? JG ? Se há consenso eu prefiro que seja agora, mas se não há a maioria dos partidos entende que é melhor deixar para o próximo ano, até porque o prefeito ACM Neto é uma peça importante, pois ele está tentando melhorar a cidade. Então o consenso é que tudo se resolva após o Carnaval.
TB ? O PT anunciou Rui Costa como candidato ao governo. Ele é um candidato que preocupa a oposição? JG ? É um candidato que merece respeito, mas todos já sabiam que seria ele. Aqueles que quiseram se candidatar já sabiam que era Rui Costa. Isso não preocupa em nada. Acho que a democracia exige que a gente respeite qualquer candidato.
TB ? Como o senhor vê a candidatura da senadora Lídice da Mata, ele vai arrancar votos do PT? JG ? Eu me preocupo de fato com a minha candidatura. Ela sempre disse que seria candidata do governador e vai ser difícil para ela falar que o governo Wagner não foi bom. Não sei o que ela vai fazer. Provavelmente ela vá tirar alguns votos do PT.
TB ? No Senado, como o senhor vê a disputa? Quem tem mais condições de se viabilizar e ir para o Senado na visão do senhor? JG ? Na Bahia, historicamente, o Senado ganha de acordo com o governo. Historicamente, o senador vai junto com o governo. Então, como acho que o governador será da oposição, consequentemente, o Senado também será nosso.
TB ? O que o PSDB fará para deixar de ser um partido pequeno na Bahia? O senhor acredita que o PSDB pode se projetar como um partido mais forte no estado? JG ? O PSDB, assim como todos os partidos da oposição, sofreu muito nesses últimos anos, principalmente nas eleições de 2010. O PSDB é pequeno, mas o PMDB também tem muitos poucos deputados. Somos partidos pequenos e estamos partidos da oposição, mas estamos alinhados. O PSDB vai crescer, não tenha dúvidas. Temos candidatos comprometidos e projeto diferenciado.
TB ? Como o senhor avalia o DEM de ACM Neto em Salvador? JG ? Eu apoiei ACM Neto desde o início porque entendia que era o melhor para Salvador e estou surpreso com a desenvoltura dele. Ele tem planejado, tem conversado e entregado postos. Você vê que ele está fazendo um governo não só para torcida, mas para os soteropolitanos. Ele está organizando as finanças. Não é fácil assumir uma prefeitura falida. Ele falou, durante discurso na Liberdade, que iria organizar tudo, inclusive as secretarias. Essas obras, a exemplo do banho de asfalto, você percebe que ele está fazendo. As ações vêm antes da publicidade. Você percebe ele ordenando a cidade. Não sou contra divulgar as ações do governo, mas não é possível que peguem o dinheiro do povo e invistam em publicidade com uma ponte de Salvador/ Itaparica que não vai sair. Não tem viabilidade econômica
TB ? O Senhor acha que essa dificuldade de gerenciar vai atrapalhar a eleição do candidato do governador Wagner? JG ? As pessoas já entenderam que eles não entregam obras. Veja a Ceasa quanto tempo tem. Construímos um hipermercado em oito meses. Veja como está a Feira de São Joaquim, parada. Eles ficam pensando como vão à próxima eleição e gastam toda energia naquilo. Eles deveriam pensar mais em melhorar a vida da população com educação, saúde e segurança, como eu fiz em Mata de São João. Eu sabia que meu dever era melhorar as coisas, e por isso fui aprovado com 96% de aprovação e 74% disse que minha gestão era boa ou regular. Outros políticos acham que cooptar partido e nomes é política. Eu não penso assim. Na política você pode transformar a vida das pessoas, e o político precisa conhecer e exterminar o sofrimento das pessoas.
TB ? O Senhor acredita que o prefeito ACM Neto se envolverá na eleição ou vai se manter distante? JG ? Não tenha dúvidas que ele vai se envolver. É claro e natural. Ele é prefeito e sabe das responsabilidades. Sabe também que esse governo não está melhorando a vida das pessoas e é natural que ele como cidadão, excelente político e como prefeito da capital vai se envolver de corpo e alma para melhorar a Bahia.
TB ? O que esperar de João Gualberto daqui em diante? JG ? Eu quero ser visto exatamente do jeito que eu sou. Uma pessoa honesta, correta, que cumpre com as obrigações, seja na vida empresarial, familiar, com meus amigos, como político. Quem me conhece sabe disse. Não quero que me fabriquem. Fui prefeito em Mata de São João e todas as minhas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município, e isso me deixa feliz. Minha filha mais velha até perguntou se um dia ela me veria no jornal envolvido em corrupção e eu digo que isso jamais aconteceria, pois minha consciência é tranquila, pois eu vim muito de baixo e conheço as necessidades das pessoas. Pra mim foi um privilégio ser prefeito de Mata de São João e é um privilégio ser pré-candidato ao governo do Estado. Não vou deixar escapulir essa oportunidade de transformar a vida das pessoas.
TB ? Se não pudesse para governador, sentaria para conversar sobre outro cargo na chapa? JG ? Eu estou concorrendo numa união de partido da oposição e é logico que meu nome aparecesse em terceiro lugar, mas o que eu quero é ser candidato a governador do Estado. Agora, é lógico que tem gente que tem maior penetração na imprensa e consegue mostrar suas mensagens e eu apenas tenho 10 anos de política. Tem gente que começou em 1979 como político e eu só comecei em 2003. As pessoas até falam que eu não invisto em publicidade, mas eu acho que uma coisa é campanha e outra é usar o dinheiro do povo sofrido para fazer publicidade. Isso é um crime. Minha carreira política é um processo que estou construindo. Tento mostrar para as pessoas que nós temos capacidade de transformar a vida da população.
Fotos: (Capa/Ag. Mais Região) e (Divulgação)