A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um “tarifaço” sobre importações de outros países pode isentar US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Horas após a decisão, Trump anunciou a elevação da tarifa global de importação de 10% para 15%, com efeito imediato, ampliando a incerteza sobre os impactos no comércio internacional.
O cálculo da CNI tem como base dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) e considera os produtos brasileiros atingidos por sobretaxas que variavam de 10% a 40%. “Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Ele acrescentou que a entidade seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.
Após a decisão judicial contrária a parte de sua política tarifária, Trump informou que utilizaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados. Na sequência, publicou mensagem em sua rede social anunciando a elevação imediata da tarifa mundial para 15%. Segundo o presidente, a medida é legal e amparada pelos instrumentos jurídicos existentes. “...como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (...) para o nível legalmente permitido de 15%.” Ele também declarou que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas e que “Outras saídas serão usadas”, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”.
Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, queda de 6,6%, equivalente a US$ 2,65 bilhões. No mesmo período, o déficit comercial brasileiro com os norte-americanos somou US$ 7,53 bilhões, avanço de quase 2.900% em relação a 2024, quando o saldo negativo foi de US$ 253 milhões.
Dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os Estados Unidos desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, considerando um intervalo de três anos, em um cenário de intensificação das tensões comerciais e de mudanças na política tarifária norte-americana.
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