Os gastos do governo federal com cartões corporativos ultrapassaram a marca de R$ 1,4 bilhão desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Somente em 2025, as despesas somaram R$ 423 milhões, segundo dados divulgados recentemente, reacendendo o debate sobre transparência no uso desse tipo de recurso público.
Entre os registros de despesas, chamaram atenção pagamentos direcionados a empresas de construção e até pedidos realizados por meio de aplicativos de entrega, como o iFood. Os registros levantaram questionamentos de opositores sobre a natureza de alguns gastos realizados por meio do cartão, que tradicionalmente é destinado a despesas emergenciais da administração pública.
Apesar dos valores expressivos, os gastos de 2025 foram menores que os de 2024, quando a fatura chegou a R$ 584 milhões, indicando uma redução no volume total de despesas no comparativo entre os anos.
O principal ponto de crítica, no entanto, está relacionado à falta de transparência. Segundo dados citados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mais de 99% das despesas estão classificadas sob sigilo, o que impede que a população saiba exatamente quais produtos ou serviços foram adquiridos com os recursos públicos.
Apenas a Presidência da República já teria consumido cerca de R$ 55 milhões do total registrado. Enquanto o governo afirma que os valores estão ligados principalmente a custos logísticos, viagens oficiais e despesas institucionais, setores da oposição utilizam os números para questionar a gestão dos recursos e a necessidade de manter a maior parte das informações sob sigilo.