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Empresários denunciam atraso milionário em cachês e cobram pagamentos do governo Jerônimo
Produtores afirmam que artistas aguardam valores desde 2023 e ameaçam boicotar o próximo São João caso os débitos não sejam regularizados.
23/02/2026 06h40
Por: Redação Fonte: Informe Baiano
Reprodução/Folha Press

Empresários e produtores do setor musical denunciaram atrasos no pagamento de cachês de bandas contratadas pelo Governo da Bahia para apresentações em eventos, principalmente durante o período junino. As informações foram divulgadas pelo portal Informe Baiano e têm gerado forte repercussão entre artistas e representantes do mercado de shows no estado.

De acordo com um empresário ouvido pela reportagem, os débitos se arrastam há anos. “Eu tenho dinheiro de 2023, 2024, 2025 e também de 2026 para receber”, afirmou, ao relatar que diversos contratados ainda aguardam a regularização dos pagamentos.

Segundo os relatos, os problemas teriam começado ainda na época da Bahiatursa, quando bandas ficaram sem receber pelos serviços prestados. Posteriormente, com a criação da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur), os atrasos teriam continuado.

Produtores também afirmam que, após críticas, parte da responsabilidade foi atribuída às equipes de produção, embora as contratações tenham sido feitas pelo próprio governo. “Depois colocaram a culpa no staff, mas quem contratou foi o governo”, disse um dos representantes do setor.

Ainda conforme os empresários, quando a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) passou a assumir parte das contratações, os pagamentos chegaram a ser regularizados por um período, mas novos atrasos voltaram a ocorrer.

Os relatos indicam que grande parte das bandas que se apresentaram no último São João ainda não recebeu os cachês. “Só recebe quem Adolpho autoriza”, afirmou um produtor, referindo-se ao responsável pela área.

Empresários também alegam que o Estado teria recebido emendas parlamentares destinadas aos eventos juninos, mas que os valores não teriam sido repassados aos artistas e produtores contratados.

Alguns produtores afirmam possuir valores superiores a R$ 40 milhões a receber. Estimativas do setor apontam que a Sufotur acumularia uma dívida superior a R$ 500 milhões, enquanto débitos ligados à Setur ultrapassariam R$ 380 milhões.

Diante do cenário, cresce entre empresários a ideia de um movimento coletivo para pressionar o governo Jerônimo Rodrigues. A proposta seria não se apresentar no próximo São João enquanto os pagamentos não forem regularizados. “Só toca quando pagar”, afirmou um dos representantes do setor.

Até o momento, o Governo da Bahia não se manifestou oficialmente sobre as acusações.

Com informações do Portal Informe Baiano.