As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, deixaram 31 mortos até a noite de terça-feira (24). Ao todo, 38 pessoas continuam desaparecidas na região. O temporal provocou desabamentos, deslizamentos de terra, transbordamento de rios e milhares de desabrigados, levando municípios a decretarem estado de calamidade pública.
Em Juiz de Fora, onde 25 pessoas morreram e cerca de 3 mil estão desabrigadas, a prefeitura decretou situação de calamidade na madrugada de terça-feira (24) e suspendeu as aulas em todas as escolas da rede municipal. A Defesa Civil determinou a evacuação de aproximadamente 600 famílias. Segundo a administração municipal, fevereiro já acumula 584 milímetros de chuva, o dobro do esperado para o mês, tornando-se o mais chuvoso da história da cidade.
Entre as vítimas estão estudantes e uma professora. As mortes foram registradas nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Um dos pontos mais afetados é o Parque Burnier, onde há 20 desaparecidos, entre eles mais de cinco crianças. No local, nove pessoas foram resgatadas com vida, quatro morreram e 12 casas desabaram.
No Bairro Cerâmica, duas casas desabaram e cinco pessoas da mesma família permanecem soterradas. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Polícia Militar e da Empav atuam nas buscas. O Rio Paraibuna e córregos transbordaram, pontes e o mergulhão que ligam bairros ao Centro foram interditados, além do registro de quedas de árvores.
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, do Corpo de Bombeiros, mais de 40 chamadas emergenciais foram registradas durante a madrugada, envolvendo vias bloqueadas, moradores ilhados e imóveis atingidos. Mais de 20 militares e cães de busca foram deslocados para reforçar as operações. Os sobreviventes resgatados foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro, unidade de referência no município. A prefeitura decretou luto oficial de três dias.
Em Ubá, seis pessoas morreram após o Ribeirão Ubá transbordar na noite de segunda-feira (23), alagando a Avenida Beira Rio. Foram registrados 124 milímetros de chuva em seis horas. A prefeitura classificou o episódio como a maior inundação dos últimos anos. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Defesa Civil atuam na contabilização dos danos. Vídeos mostram desabamento de imóvel e caixões de uma funerária sendo arrastados pela enxurrada.
Em Matias Barbosa, o prefeito também decretou estado de calamidade pública para viabilizar o acesso a recursos federais, agilizar ações emergenciais e garantir atendimento às famílias atingidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas e às forças de segurança envolvidas no resgate. O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais. O Ministério da Defesa informou que foi acionado para apoiar as ações emergenciais, com disponibilização de viaturas, tropas para limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros, apoio logístico, organização de abrigos temporários e emprego de helicóptero em ações humanitárias. A prefeita Margarida Salomão declarou que é o dia mais triste de seu governo.
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