Geral 4 presos
RJ: último foragido de estupro coletivo se entrega à policia
Dois suspeitos se apresentaram nesta quarta-feira (4); grupo responde por estupro com agravante de vítima menor de idade e cárcere privado
04/03/2026 19h41 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

Os dois últimos foragidos apontados como envolvidos no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos se entregaram à polícia nesta quarta-feira (4), no Rio de Janeiro. Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, apresentou-se na 12ª DP (Copacabana), por volta das 11h, acompanhado do advogado. Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também de 18 anos, compareceu à 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde. Com as apresentações, quatro jovens passam a responder como réus por estupro, com agravante de a vítima ser menor de idade, além de cárcere privado.

Na terça-feira (3), Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, e João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, também se apresentaram e a polícia os transferiu para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da capital. Bruno Felipe deve seguir para a mesma unidade prisional.

Durante a transferência de Vitor Hugo, uma aglomeração se formou em frente à delegacia. Populares gritaram “estuprador”, e os policiais deixaram o local rapidamente diante da concentração de pessoas.

Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado do cargo nesta quarta-feira (4). O advogado Ângelo Máximo afirmou que o cliente nega participação no crime. Segundo a defesa, ele confirma que estava no apartamento, mas nega ter mantido relação sexual ou cometido estupro contra a adolescente. “Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida”, disse. O advogado declarou ainda que o jovem permanecerá em silêncio.

O delegado Ângelo Lages informou que a polícia ainda ouvirá a vítima de um segundo caso de estupro coletivo atribuído a pelo menos dois dos presos. Segundo ele, o registro partiu da mãe da jovem. “Em relação à segunda vítima, somente a mãe veio à delegacia, relatou. A gente ainda vai chamar a vítima para ser ouvida aqui”, afirmou. De acordo com o delegado, a equipe realizará depoimento especial, com acompanhamento de policial especializada em crimes sexuais.

A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os promotores destacaram, com base no relatório final da polícia, “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima”.

Há ainda um menor investigado por ato infracional análogo ao crime. A polícia desmembrou o inquérito e o encaminhou ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que solicitou análise da Vara da Infância e da Juventude. Em manifestação enviada na segunda-feira (2), o promotor Carlos Marcelo Messenberg pediu que a Justiça negasse o pedido de apreensão do adolescente. Até a última atualização, não havia mandado de internação expedido.

A Justiça do Rio de Janeiro também negou pedidos de habeas corpus apresentados por três dos quatro maiores de idade. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os recursos. Como o caso tramita sob segredo de Justiça, os autos públicos não identificam formalmente os autores dos pedidos.

Entre segunda-feira (2) e terça-feira (3), outras duas jovens procuraram a polícia e relataram abusos atribuídos a integrantes do grupo. Uma delas afirmou que, quando tinha 14 anos, ao menos dois dos investigados a estupraram na casa de Mattheus Verissimo Zoel Martins e registraram imagens do crime. Atualmente, ela tem 17 anos. Outra jovem prestou depoimento na 12ª DP (Copacabana) e apontou Vitor Hugo como autor de estupro.

Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), o caso envolvendo a adolescente de 17 anos ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, Zona Sul do Rio. De acordo com o relato, o adolescente que a convidou a levou ao imóvel e, já no local, outros quatro rapazes entraram no quarto onde ela estava.

A vítima afirmou que os investigados tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, a forçaram a praticar sexo oral e a penetraram sem consentimento. Ela relatou ainda que o grupo desferiu tapas, socos e um chute na região abdominal e impediu que deixasse o quarto quando tentou sair.

Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada dos envolvidos e a saída da adolescente. Conversas por aplicativo de mensagens também integram o inquérito. O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital, além de manchas nas regiões dorsal e glútea. A perícia coletou materiais para exames genéticos e análise de DNA.

Após a prisão, a defesa de João Gabriel Xavier Bertho informou, em nota: "A defesa de João Gabriel Xavier Bertho informa que, em respeito à decisão judicial, ele se entregou nesta terça-feira (03) na 10ª delegacia. João Gabriel e a defesa confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia. Ele não é citado nas novas denúncias que estão sendo investigadas".