Política em Foco Caso Master
Após ser preso pela PF, “Sicário” de Vorcaro morre em Belo Horizonte
Homem foi preso em meio à investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master
04/03/2026 21h39
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: PM MG/Divulgação

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu na noite desta quarta-feira (4), em Belo Horizonte, após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal. Preso pela manhã durante a Operação Compliance Zero, ele chegou a ser reanimado e encaminhado ao Hospital João XXIII, mas não resistiu, segundo informações divulgadas pela Polícia Federal.

De acordo com a Polícia Federal, agentes encontraram Mourão desacordado na cela da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. Policiais iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou para atendimento hospitalar. Em nota, a corporação informou: “A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e atendimento médico. A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido”.

Mais cedo, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais havia informado que não confirmava a morte e que ele permanecia em cuidados no CTI do Hospital João XXIII. A defesa declarou que esteve com Mourão até por volta das 14h e que só tomou conhecimento do ocorrido após a nota oficial da PF. “A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal. A defesa acompanha os fatos e se encontra no Hospital João XXIII. Porém, até este momento, não há qualquer confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi”, informou.

A Polícia Federal prendeu Mourão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Ele era réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Na mesma operação, os agentes também prenderam o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como chefe da organização estruturada em diferentes núcleos.

Segundo as investigações, Mourão integrava um grupo denominado “A Turma” e exercia função de coordenação operacional. A Polícia Federal afirma que ele monitorava pessoas, levantava dados considerados relevantes para os interesses do grupo e realizava consultas e extrações de informações em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial. A corporação aponta ainda que ele teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol.

Relatórios policiais indicam que Mourão também atuava para intimidar antigos funcionários do Banco Master e remover conteúdos e perfis em plataformas digitais, com o objetivo de obter dados de usuários ou retirar críticas ao grupo. Conversas interceptadas mostram o banqueiro determinando agressões e intimidações. Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu: “O bom é dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”. Em outro trecho, afirmou: “Tem que moer essa vagabunda. Puxa endereço, tudo”.

As investigações apontam que Mourão exercia posição de chefia na organização criminosa e coordenava as ações dos demais integrantes. Relatório de inteligência menciona indícios de que ele receberia R$ 1 milhão por mês pelos “serviços ilícitos”.

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Mourão por suspeita de movimentar R$ 28 milhões em contas ligadas a empresas associadas a ele, em esquema de pirâmide financeira entre junho de 2018 e julho de 2021. A denúncia afirma: “A triangulação de valores através de pessoas jurídicas constitui movimento típico de lavagem de dinheiro, in casu com a ocultação dos valores provenientes, direta ou indiretamente, dos crimes contra a economia popular perpetrados”.

A defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações e declarou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.”

A Polícia Federal informou que abrirá investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido e que encaminhará os registros em vídeo ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

Alerta
Esta reportagem trata de suicídio e saúde mental. Pessoas que enfrentam sofrimento emocional podem procurar atendimento gratuito na rede pública de saúde, como Centros de Atenção Psicossocial, Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Pronto Atendimento e hospitais. O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188.