Camaçari Tradição e Polêmica
Atrasos, ausência de grupos culturais e muita reclamação marcam abertura do Festival de Arembepe
Caetano e Jerônimo fizeram os poucos participantes do cortejo esperarem por mais de 4h no sol escaldante de Arembepe
13/03/2026 16h12 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Luciano Bandeiras Fonte: Mais Região
Gabriel Seixas / Mais Região

A tradicional Lavagem de Arembepe saiu da Volta do Rubalo, na entrada da localidade, nesta sexta-feira (13), com um atraso de cerca de quatro horas e segundo participantes, a organização do evento segurou mulheres e homens, jovens e crianças e, principalmente, as idosas com suas pesadas roupas de baiana, amargando o sol escaldante até às 12h, quando o cortejo finalmente saiu.

“Uma falta de respeito com a gente que está aqui desde cedo. Essa roupa de baiana esquenta demais, mas eles não estão nem aí”, comentou uma das senhoras, que já não aguentava mais ficar no sol esperando os políticos.

Outra reclamação foi sobre a água disponibilizada pelos organizadores, que além de demorar para chegar, estava quente.

Uma apoiadora do petista, que não quis se identificar, desabafou sobre a situação enfrentada por quem chegou às 8h, horário anunciado pela Prefeitura de Camaçari. “Ainda bem que eu trouxe minha garrafinha e a da minha filha. Porque quando a água chegou já era quase onze horas e ainda estava quente. Um absurdo.”

Em comparação com os últimos anos, a abertura do Festival de Arembepe deu a sensação de estar esvaziada pela população de Camaçari, e principalmente pelos grupos tradicionais, substituídos pelo Malê Debalê e pelos Filhos de Gandhy, ambos de Salvador, o que causou mal-estar entre os fazedores de cultura da cidade.

“É um pessoal diferente. Não vi as senhoras da UVA, nem o pessoal que faz puxada de rede, não vi os meninos das escolas de Arembepe que todo ano desfilam, nem a turma da capoeira. Esse ano está fraco”, comentou seu Cláudio Silveira, morador da Volta do Rubalo há mais de 60 anos.

A comitiva de Caetano se dispersou ao chegar na Rua Direta de Arembepe, onde ficou evidente o esvaziamento da tradicional manifestação cultural.

Até o próprio prefeito, em vários momentos, adiantou o passo, deixando o governador Jerônimo Rodrigues para trás, o que deu a impressão de que a caminhada do PT estava dividida e dispersa.

A situação também colocou em maus lençóis os assessores, que a todo momento tentavam reunir novamente o bloco, disperso na avenida.