As investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-sócio, o empresário Augusto Lima, passaram a provocar apreensão nos bastidores da política baiana. Revelações divulgadas pela imprensa nacional apontam conexões políticas, movimentações financeiras milionárias e possíveis vínculos com agentes públicos.
Relatos citados em reportagem da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, indicam que Augusto Lima teria operado um esquema de pagamentos que incluía repasses em dinheiro vivo e transferências para empresas que teriam ligação indireta com políticos. Parte das operações teria ocorrido na sede do banco, em São Paulo, enquanto outros pagamentos teriam sido realizados por meio de empresas.
Segundo informações levantadas na apuração, um dos caminhos do dinheiro investigado passa por uma empresa registrada em nome da esposa de um secretário de Estado que possui ligações familiares com um influente líder político do PT na Bahia. A possível conexão teria acendido um sinal de alerta na cúpula do partido no estado.
Dados obtidos a partir da quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro também ajudaram a revelar valores movimentados na operação relacionada à Bahia. Em 19 de junho de 2023, Vorcaro recebeu cerca de R$ 3 milhões do empresário baiano Miguel Luiz Rosário Lorenzo. Um mês depois, em 14 de julho daquele ano, a empresa MCR Patrimonial Ltda., ligada ao mesmo empresário, transferiu outros R$ 30,6 milhões ao banqueiro.
A apuração indica que Vorcaro teria relacionado essas movimentações a negócios ligados a Augusto Lima.
Além das movimentações financeiras, reportagens também apontam que Lima manteve interlocução com lideranças políticas da Bahia. Segundo reportagem do Poder360, o empresário teve relações políticas com figuras importantes do PT no estado, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner. A aproximação teria ocorrido no contexto da privatização da Ebal, responsável pela rede Cesta do Povo, adquirida por Lima em 2018.
A reportagem completa pode ser lida aqui.
Ainda de acordo com o portal, Lima também teria mantido interlocução com políticos de outros campos políticos. Entre eles, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que já foi citado em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações envolvendo empresas ligadas ao Banco Master. Neto já declarou publicamente que os valores recebidos são referentes a serviços prestados de consultoria com emissão de nota fiscal e nega qualquer irregularidade.
Até o momento, as investigações não apontam acusação formal contra os políticos citados. As apurações seguem em andamento e buscam aprofundar a análise do fluxo financeiro e eventuais conexões políticas.