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Testemunhas de Jeová flexibilizam regra e passam a permitir uso do próprio sangue em cirurgias
Nova política autoriza autotransfusão em cirurgias programadas, mas mantém proibição de sangue de doadores
21/03/2026 14h35
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Agência Brasil/ Tomaz Silva

As Testemunhas de Jeová atualizaram suas regras sobre transfusão de sangue e passaram a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos, desde que ele seja retirado e armazenado previamente para uso posterior. A mudança foi anunciada neste sábado (21) e impacta decisões médicas de seguidores em todo o mundo.

Na prática, a nova orientação autoriza a chamada autotransfusão em cirurgias programadas, permitindo que o paciente tenha o próprio sangue coletado antes do procedimento e receba esse material durante a operação. Apesar da flexibilização, permanece a proibição de transfusões com sangue de outras pessoas.

Um dos líderes do grupo, Gerrit Losch, afirmou que “cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”. A organização reforçou que a base doutrinária não foi alterada. “Nossa crença fundamental a respeito da santidade do sangue permanece inalterada”, declarou um porta-voz.

A doutrina das Testemunhas de Jeová se fundamenta na interpretação bíblica de que é necessário “nos abster de sangue”, conforme trechos do Antigo e do Novo Testamento. O grupo religioso, de base cristã, reúne cerca de 9 milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.

A mudança amplia as possibilidades para procedimentos eletivos, especialmente cirurgias planejadas com antecedência. Em situações de emergência, que exigem transfusão imediata, a restrição ao uso de sangue de doadores permanece.

A nova política também gerou críticas. O ex-integrante Mitch Melon avaliou que a alteração “não vai longe o suficiente” e afirmou que casos de emergência ou tratamentos complexos ainda enfrentam limitações. “Se uma Testemunha de Jeová passar por uma emergência médica com perda significativa de sangue, ou se uma criança precisar de múltiplas transfusões para tratar certos tipos de câncer, essa mudança de política não lhes concede total liberdade de consciência para aceitar intervenções potencialmente vitais que envolvam sangue doado”, disse.

Em dezembro do ano passado, um tribunal de Edimburgo, na Escócia, autorizou que médicos realizassem transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos, mesmo sem consentimento, caso a vida estivesse em risco. A decisão considerou que o procedimento seria para benefício da paciente, “dando o devido peso às suas opiniões”.