Dias d'Ávila Feminicídio
Caso Sara Mariano: júri popular dos acusados segue em andamento em Dias d’Ávila
Sessão começou na manhã desta terça-feira (24) e pode avançar pela madrugada de quarta-feira (25)
24/03/2026 21h40
Por: Luana Velloso Fonte: Mais Região
Foto: Anderson de Almeida / Mais Região

O júri popular dos réus Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como bispo Zadoque, e Victor Gabriel Oliveira Neves, acusados de matar a cantora gospel Sara Mariano, segue em andamento nesta terça-feira (24), no Fórum Desembargador Gérson Pereira dos Santos, em Dias d’Ávila. O julgamento teve início pela manhã e pode avançar pela madrugada de quarta-feira (25). Sete jurados são responsáveis por decidir pela condenação ou absolvição dos acusados, cabendo ao juiz que preside o júri fixar a pena em caso de condenação.

Até o momento, todas as testemunhas foram ouvidas. Ao todo, eram 17, mas nem todas foram requisitadas. O julgamento ocorre no município onde o corpo da vítima foi encontrado, o que definiu a tramitação do processo na Vara Criminal da comarca. Os três acusados respondem por feminicídio, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa. Ederlan Santos Mariano, ex-marido de Sara Mariano, é apontado como mandante do crime.

O portal Mais Região acompanha a sessão desde o início da manhã desta terça-feira (24). Em entrevista à nossa equipe, o assistente de acusação Rogério Matos afirmou que a expectativa é pela condenação dos réus. “A gente já conseguiu a condenação de Gideão, o motorista que levou Sara. Conseguimos a condenação de 20 anos e quatro meses. E a condenação deles, que de certo virá, esperamos que seja maior”.

A mãe da vítima, Dolores Freitas, declarou acreditar na responsabilização dos acusados. “Eu creio que o mesmo Deus que colocou eles atrás das grades vai continuar com eles presos para que eles venham pagar o que eles fizeram”.

O promotor de Justiça Audo Rodrigues afirmou que a acusação está sustentada no conjunto de provas reunidas durante a investigação e a instrução processual. Segundo ele, o Ministério Público considera comprovada a participação dos réus no crime. “A certeza que o Ministério Público tem, amparado em todo o acervo de provas que foram produzidas pela Polícia Civil, é que está tudo muito bem comprovado”.

Rodrigues também destacou a gravidade do crime e a necessidade de uma pena proporcional. “A gente precisa buscar uma penalidade maior, sobretudo pela gravidade que se evidenciou numa crueldade, numa torpeza, em um feminicídio que foi consumado, uma associação criminosa e uma ocultação de cadáver que foi devidamente comprovada”.

A defesa de Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como bispo Zadoque, representada pelo advogado Gabriel Cortes, afirmou que busca uma decisão proporcional ao que está nos autos. “Nós da defesa não iremos pedir absolvição, iremos pedir uma condenação, mas uma condenação atenuada, com pena proporcional ao que o processo diz”.

Já a defesa de Victor Gabriel Oliveira Neves, representada pelos advogados Tássio de Oliveira e Lucas Souza, sustentou que há elementos nos autos que indicam a participação de outra pessoa no crime, que figura como testemunha. Segundo a defesa, esse possível envolvido teria tido conhecimento prévio e participação na articulação do plano, ponto que, segundo os advogados, deve ser analisado pelo Ministério Público, no âmbito da acusação.

O promotor de Justiça contestou essa tese. “A defesa possui o direito constitucional de sustentar o que quiser, mas não há qualquer dúvida da participação dos réus e não existe outra pessoa envolvida”.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, sob responsabilidade do delegado Euvaldo Costa, Ederlan Santos Mariano teria encomendado o crime; Gideão Duarte de Lima, já condenado, levou a vítima até o local combinado; Victor Gabriel Oliveira Neves segurou Sara Mariano; e Weslen Pablo Correia de Jesus, o bispo Zadoque, foi o responsável por desferir os golpes de faca.

As investigações também apontam que os envolvidos foram pagos para a execução do crime. R$ 900 foram destinados a Weslen Pablo, R$ 500 a Victor Gabriel e R$ 400 a Gideão Duarte, que também participou do transporte da vítima e da logística após o crime.

Sara Mariano foi morta com 22 facadas após ser atraída para um falso evento religioso. O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, e o corpo foi encontrado em Dias d’Ávila. Inicialmente, a ação penal envolvia quatro acusados, sendo que Gideão Duarte de Lima já foi julgado e condenado, em 2025, a 20 anos e 4 meses de prisão.