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Apostas online se tornam principal fator de endividamento das famílias brasileiras
Estudo aponta que impacto das bets no orçamento supera crédito e juros, com maior efeito entre famílias de baixa renda
26/03/2026 22h47 Atualizada há 3 meses atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Joédson Alves | Agência Brasil

As apostas online passaram a ser o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando o peso do crédito e dos juros, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School, divulgado na quarta-feira (26). A pesquisa analisou crédito em relação à renda, juros ao consumidor, tempo de endividamento e apostas, e identificou que as bets apresentam maior impacto no orçamento doméstico.

De acordo com o levantamento, o coeficiente das apostas alcançou 0,2255, valor superior ao do crédito, que registrou 0,0440, e ao dos juros, com 0,0709, sendo que a soma desses dois fatores ainda permanece abaixo do impacto das apostas.

O estudo aponta que a expansão das apostas online após a legalização em 2018 e a popularização a partir de 2019 alterou a dinâmica do endividamento no país. Em 2025, a receita bruta das bets autorizadas atingiu R$ 37 bilhões, conforme dados oficiais, enquanto cerca de 7,5 milhões de brasileiros admitiram ter comprometido parte da renda com jogos.

“O padrão sugere deslocamento de recursos de atividades produtivas e poupança de longo prazo para apostas de retorno esperado negativo”, explicou Claudio Felisoni, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar).

O impacto das apostas é mais significativo entre famílias de baixa renda, que recorrem a modalidades de crédito com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial, para cobrir perdas. Dados do Banco Central indicam que 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito com juros elevados, sendo que 49 milhões pagam taxas que podem chegar a 100% ao ano.

No mesmo período, a inadimplência cresceu de 5,6% para 6,9% em um ano, enquanto o comprometimento da renda das famílias atingiu 29,2%, o maior nível já registrado.