Política em Foco Governo Lula
Rui Costa deixa Casa Civil após três anos e é substituído por Miriam Belchior
Despedida ocorreu nesta quinta-feira (2), em Salvador, durante agenda com Lula; ex-ministro vai disputar o Senado pela Bahia
02/04/2026 20h29
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, deixou o cargo nesta quinta-feira (2), após três anos e três meses à frente da pasta, durante cerimônia realizada na Estação da Calçada, em Salvador, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A saída ocorreu em meio a agenda de entregas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) nas áreas de mobilidade urbana e contenção de encostas, e marca a substituição pelo nome da atual secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. Rui Costa deixa o governo para disputar uma vaga ao Senado pela Bahia.

Durante o evento, Rui Costa afirmou que cumpria seu último compromisso como ministro. “Esse ato é o último ato meu como ministro da Casa Civil. Quando terminar o dia, o presidente assina minha exoneração”, disse. “Da minha casa até o colégio em que eu estudava são quatro quilômetros. Eu ia andando e voltava andando, passando por aqui.”

O local da cerimônia tem relação direta com a trajetória do ex-ministro, por estar situado próximo ao morro onde nasceu, na divisa entre os bairros da Liberdade e da Calçada.

Luiz Inácio Lula da Silva comentou a atuação da Casa Civil durante o período. “Nem sempre o papel da Casa Civil é o papel de simpatia. A maioria dos ministros que vão conversar na Casa Civil sai e vai reclamar comigo que não foi bem tratada”, disse. “Mas nunca tivemos a Casa Civil funcionando com a capacidade de apresentar soluções como agora.”

Rui Costa comandou a Casa Civil desde o início do atual governo e consolidou atuação centralizadora, coordenando reuniões ministeriais e acompanhando projetos estratégicos. As decisões que chegavam ao presidente passavam pela análise da pasta, que também atuou na interlocução com o Congresso Nacional em temas como debates envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Na terça-feira (31), durante sua última reunião ministerial, Rui Costa cobrou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, sobre a divulgação das ações do governo. “A minha dúvida, Sidônio, é se o povo está ciente disso”, disse, ao apresentar dados da gestão.

Entre os números apresentados, estão a saída de 26,5 milhões de pessoas da fome entre 2023 e 2024, a redução de 8,7 milhões de pessoas na pobreza e de 3,1 milhões na pobreza extrema, além da queda do desemprego para 5,4%. Também foram citados 80% de execução do Novo PAC, com R$ 65,6 bilhões em repasses do Orçamento da União, frente a R$ 7,5 bilhões no governo anterior, e a contratação de R$ 11,1 bilhões em financiamentos nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, urbanização de favelas, encostas e drenagem, com aumento de 46%.

Nos últimos meses, o nome de Rui Costa também esteve associado ao caso Banco Master, relacionado ao período em que foi governador da Bahia, quando criou o programa CredCesta. Medidas adotadas na época, como decreto que restringiu a portabilidade de crédito consignado, ampliaram a exclusividade da instituição em operações desse tipo. O ex-ministro afirma que não participou de irregularidades e atribuiu relevância ao papel do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao comentar o tema.

A nova ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, é filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde a fundação, engenheira de alimentos formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestre em administração pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Iniciou a trajetória política em Santo André, onde foi secretária de Administração e de Inclusão Social entre 1997 e 2002.

Miriam Belchior foi secretária-executiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007, coordenadora-geral do programa em 2010, ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão entre 2011 e 2015, no governo Dilma Rousseff, e presidente da Caixa Econômica Federal entre 2015 e 2016. Desde janeiro de 2023, ocupava a secretaria-executiva da Casa Civil e participou da elaboração de programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Ao comentar a escolha, Rui Costa declarou: “Ela foi ministra do Planejamento, trabalha muito, é uma técnica competente”.

A mudança ocorre em meio a uma reforma ministerial que prevê a saída de 20 ministros para disputar as eleições de outubro. A orientação do governo federal é dar continuidade às ações em andamento, sem lançamento de novos programas.