A assinatura de uma nova ordem de serviço para intervenções no Rio Camaçari, feita pelo prefeito Luiz Caetano (PT) nesta quarta-feira (1º), reacendeu um velho debate político na cidade: o histórico de promessas envolvendo a revitalização do rio.
O tema ganhou repercussão nesta quinta-feira (3), após o vereador de oposição Jamesson (PL) resgatar uma reportagem de 2012, quando o próprio Caetano anunciava um ambicioso projeto de urbanização da bacia do rio. Em tom irônico, o parlamentar relembrou a promessa feita há mais de uma década, destacando que o discurso volta à cena praticamente nos mesmos moldes.
Na época, o projeto previa investimento superior a R$ 270 milhões, com intervenções de saneamento, habitação e urbanização ao longo do Rio Camaçari, incluindo ciclovia de 36 quilômetros, pontes, pontilhões e obras de mobilidade. À época, Caetano chegou a afirmar que o nível de despoluição permitiria até o consumo da água do rio pela população — declaração que agora volta a circular em tom crítico nas redes sociais.
Passados 14 anos, a nova promessa vem com números diferentes, mas com proposta semelhante. Segundo a Prefeitura de Camaçari, o pacote atual prevê investimento superior a R$ 100 milhões, por meio do Novo PAC, com foco em drenagem urbana, saneamento e prevenção de alagamentos em áreas vulneráveis . As intervenções incluem ainda obras de macrodrenagem, implantação de canais e redes de esgotamento sanitário, com expectativa de beneficiar milhares de moradores .
Durante o anúncio, o próprio prefeito reconheceu que se trata da retomada de um projeto antigo que, ao longo dos anos, ficou paralisado. A gestão municipal agora aposta na parceria com os governos estadual e federal para viabilizar a execução das obras.
Apesar do novo cenário, a reedição da proposta levanta questionamentos. O resgate feito pelo vereador reforça a cobrança sobre a efetividade das promessas anteriores e coloca pressão sobre a atual gestão para que, desta vez, o projeto avance além do discurso.
Entre expectativa e desconfiança, a população acompanha mais um capítulo de uma promessa que atravessa gestões e segue como um dos principais desafios estruturais de Camaçari.