Natural de Camamu, na Bahia, Edson Bindilatti consolidou-se como o maior nome da história do bobsled brasileiro, acumulando seis participações em Jogos Olímpicos de Inverno. Egresso do atletismo, o atleta migrou para o gelo movido pelo sonho olímpico, superando o desconhecimento inicial sobre a modalidade e o medo das descidas em alta velocidade. Com o tempo, a técnica e a paixão pelo controle do trenó substituíram o receio, transformando o baiano em um piloto experiente e respeitado no cenário internacional.
Em entrevista ao portal A TARDE, Bindilatti explicou que o bobsled o escolheu devido ao seu perfil físico e apreço pela velocidade. Ele detalhou que o esporte exige muito mais do que apenas força bruta na largada; requer um domínio preciso das lâminas e um entendimento profundo da pista. Para o atleta, a vivência esportiva foi uma ferramenta de transformação pessoal, ampliando sua visão de mundo e ensinando valores como generosidade e respeito, que ele atribui às experiências únicas proporcionadas pelas competições globais.
Um dos marcos mais significativos de sua carreira foi a final nos Jogos de Pequim 2022. Edson considera esta edição a mais especial por ter ocorrido em um cenário adverso de pós-pandemia, onde a equipe brasileira enfrentou falta de equipamentos próprios e dificuldades de treinamento. Mesmo competindo com trenós alugados e lâminas emprestadas, a determinação do grupo superou as barreiras técnicas, culminando no melhor resultado histórico do Brasil na modalidade e provando a resiliência do time comandado pelo baiano.
Aos 46 anos, após se aposentar das pistas na última Olimpíada de Inverno, Bindilatti agora foca em seu legado fora delas por meio do Instituto Edson Bindilatti. O projeto "Sonho Real" prevê a inauguração de um centro de treinamento em São Caetano do Sul (SP), contando com uma pista de largada sobre trilhos para a preparação de novos atletas. O objetivo é unir o alto rendimento ao impacto social, oferecendo a jovens a oportunidade de conhecer esportes de inverno e, futuramente, representar o Brasil em competições internacionais.