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Professores protestam por reajuste e sessão é marcada por tensão após vereador rasgar contracheque
Categoria cobra votação de projeto salarial, enquanto impasse em comissão adia análise e gera conflito no plenário
09/04/2026 21h31
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução / BNews

Professores da rede pública municipal de Camaçari realizaram manifestação nesta quinta-feira (9), durante a 11ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Camaçari, para cobrar celeridade na votação do Projeto de Lei do Executivo nº 1195/2026, que trata do reajuste salarial da categoria. O ato ocorreu no plenário da Casa Legislativa, reuniu educadores e sindicalistas e foi marcado por tensão após o vereador Jamessom (PL) rasgar o contracheque da presidente do Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Pública Municipal de Camaçari (SISPEC), Sara Santiago Carneiro.

A mobilização teve como principal reivindicação a tramitação mais rápida do projeto, que altera o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos do magistério municipal e prevê reajustes que variam de 5,4% a 10,36%, conforme a letra e o nível dos profissionais. Segundo os professores, a proposta está parada na Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, sob relatoria do vereador Jamessom, o que tem atrasado a votação em plenário.

Durante o protesto, Sara Santiago apresentou seu contracheque ao vereador Jamessom. Em meio ao confronto verbal, o parlamentar rasgou o documento, o que provocou reação imediata dos presentes e ampliou o clima de tensão no plenário. Ao se manifestar sobre o episódio, a dirigente sindical classificou a atitude como violenta e cobrou posicionamento institucional da Casa. “O vereador Jamessom rasgou o meu contracheque, isso é uma violência. Isso é uma violência de um homem contra uma mulher. Isso é uma violência. E eu quero que essa Casa se posicione. Um homem rasgou o meu contracheque, eu quero que essa Casa se posicione”, declarou.

Diante da manifestação, o presidente da Câmara Municipal de Camaçari, Niltinho Maturino (PRD), suspendeu a sessão por alguns minutos para viabilizar diálogo entre representantes da categoria e parlamentares. Após reunião, ficou acordado que o projeto será analisado na Comissão de Finanças e Orçamento e que duas sessões extraordinárias serão realizadas nesta sexta-feira (10), em formato virtual, para debater e votar a matéria em dois turnos.

O relator da comissão, vereador Jamessom, afirmou que o projeto ainda apresenta inconsistências técnicas que precisam ser corrigidas antes de seguir para votação. Ele citou divergências identificadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e apontou problemas na carreira dos professores, destacando que o parecer será concluído após análise mais aprofundada.

Durante a sessão, o parlamentar também criticou a pressão exercida pela categoria e declarou que a mobilização não influenciará o andamento do processo legislativo. Em outro momento, elevou o tom ao afirmar que poderia ampliar a análise do projeto diante das provocações.

Em posicionamento divulgado nas redes sociais, Jamessom afirmou que “a relação promíscua entre o sindicato e o prefeito é que atrapalha, pois o sindicato não deveria ser funcionário do prefeito e não deveria estar atrapalhando o andamento deste projeto tão importante. A Comissão de Constituição e Justiça encontrou inconsistências no projeto. O prefeito mandou o projeto que não estava pronto e nós precisamos fazer as correções, que estão sendo feitas para atender aos interesses dos professores. Temos a obrigação de fazer as correções”.

Em outro vídeo publicado em suas redes sociais, o vereador afirmou que não pedirá perdão pelo episódio e apresentou críticas à condução da educação no município. “Eu não vou pedir perdão. Então eu tenho que pedir ao prefeito que peça perdão aos alunos que estão sem fardamento há um ano e quatro meses. Cadê o material escolar? A escola de Monte Gordo precisando de reforma, a escola do CAIC precisando de reforma e tantas e tantas escolas? São vocês que têm que pedir perdão aos professores por estar a serviço do prefeito. É o prefeito que precisa tratar essa categoria e, principalmente, os estudantes com respeito. Eu tenho certeza que as mães, os pais e os alunos de Camaçari não estão satisfeitos com a gestão da educação”, declarou.