Geral Saúde
Novo remédio contra Alzheimer chega ao Brasil em junho, com custo elevado e sem cobertura do SUS
Tratamento inovador promete retardar o avanço da Alzheimer, mas preço pode limitar acesso da população
19/04/2026 11h17
Por: Redação Fonte: Mais Região
Divulgação

O avanço no tratamento da doença de Alzheimer ganha um novo capítulo no Brasil. Após aprovação da Anvisa em dezembro de 2025 e definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o lecanemabe, desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, deve chegar às farmácias brasileiras no fim de junho de 2026.

O medicamento amplia o arsenal terapêutico contra a doença, que afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo, e se junta a outras inovações recentes, como o donanemabe, lançado no país em 2025. Diferentemente de tratamentos anteriores, o lecanemabe atua diretamente em uma das principais causas do Alzheimer: o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, associado à destruição de neurônios e à perda progressiva de memória e funções cognitivas.

Segundo os fabricantes, o remédio possui um mecanismo de ação duplo. Além de remover essas placas tóxicas, também atua na prevenção de novos acúmulos, interrompendo o avanço da doença. Em estudos clínicos, o medicamento demonstrou reduzir em 27% o declínio cognitivo ao longo de 18 meses, proporcionando mais tempo de memória preservada, autonomia e qualidade de vida aos pacientes.

A principal pesquisa que comprova a eficácia do tratamento foi publicada no The New England Journal of Medicine e acompanhou 1.795 pacientes com Alzheimer em estágio inicial durante um ano e meio. Os resultados apontaram segurança e benefícios clínicos consistentes. Atualmente, o lecanemabe já está disponível em 51 países.

O tratamento é administrado por via intravenosa, em centros especializados, com aplicações a cada duas semanas. A dosagem varia conforme o peso do paciente e exige acompanhamento médico contínuo para monitoramento de possíveis efeitos colaterais.

Apesar do avanço, o custo ainda é um dos principais obstáculos. O valor mensal do tratamento no Brasil deve variar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62, considerando um paciente de 70 kg e diferenças de impostos estaduais. Até o momento, não há previsão de cobertura por planos de saúde nem de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).