Política em Foco Regulação
Governo proíbe apostas sobre esportes, política e entretenimento em plataformas de previsão
Regra entra em vigor em 4 de maio e restringe operações a indicadores econômicos
24/04/2026 22h38
Por: Luana Velloso Fonte: Ascom
Foto: iStock

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que proíbe, a partir de 4 de maio, apostas sobre eventos não financeiros em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A decisão atinge contratos baseados em temas como esportes, política, entretenimento e eventos sociais, que deixarão de ser permitidos nesse tipo de ambiente.

O mercado de previsões funciona como um sistema em que usuários compram e vendem contratos baseados em eventos futuros, respondendo a perguntas como “vai acontecer ou não?”. Diferente das apostas tradicionais, nas quais o jogador aposta contra uma empresa, nesse modelo os participantes negociam entre si, com ganhos ou perdas atrelados ao desfecho do evento. Esses contratos são classificados como derivativos, pois dependem do resultado de um fato futuro.

Com a nova regra, permanecem autorizadas apenas operações vinculadas a variáveis econômicas e financeiras, como inflação, taxa de juros, câmbio e preços de commodities. Esses contratos seguem sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A resolução busca encerrar uma brecha regulatória ao estabelecer que apostas sobre eventos não financeiros se aproximam de jogos de azar. Nesses casos, a legislação exige autorização do Ministério da Fazenda, pagamento de taxas e mecanismos de proteção ao usuário, requisitos que não eram cumpridos por essas plataformas.

Na prática, a decisão reduz de forma significativa o espaço de atuação de empresas do setor, especialmente plataformas internacionais que ofertavam apostas sobre eleições, competições esportivas ou programas de entretenimento para usuários brasileiros. A proibição também se aplica a esses serviços estrangeiros.

Por outro lado, o governo mantém a possibilidade de uso dessas plataformas para operações ligadas ao mercado financeiro, onde os contratos são utilizados como instrumentos de análise e proteção contra variações econômicas.

A medida integra um conjunto de ações para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país, com foco na redução de riscos para investidores, no controle da especulação e na definição de regras mais claras. Caberá à Comissão de Valores Mobiliários detalhar a regulamentação complementar e fiscalizar o cumprimento das novas normas.

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