A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal escancarou um racha nos bastidores do governo federal, com o foco recaindo sobre a relação entre o AGU e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
A indicação foi barrada na última quarta-feira (29), após Messias alcançar 34 votos favoráveis — sete a menos que o necessário para aprovação. O resultado contrariou projeções otimistas atribuídas a Wagner, que teria indicado previamente um cenário com cerca de 45 votos a favor do nome do AGU.
Apesar do clima de desconfiança, Messias adotou um tom público de gratidão. Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (1º), ele agradeceu nominalmente a Wagner, além do senador Otto Alencar, e aos parlamentares que apoiaram sua indicação. A mensagem, no entanto, não foi suficiente para conter os rumores de crise.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, aliados do AGU relataram, sob reserva, que Messias se sentiu traído pelo líder do governo. A avaliação interna é de que houve falhas graves na articulação política e possível mudança de posicionamento de senadores que antes indicavam apoio.
Nos bastidores, há ainda suspeitas de que Wagner possa ter atuado em sintonia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que já demonstrava resistência ao nome de Messias. A hipótese não foi confirmada oficialmente, mas intensificou o clima de tensão dentro da base governista.
A derrota também acendeu alerta no Palácio do Planalto sobre a dificuldade de consolidar maioria em votações estratégicas. Mais do que a vaga no STF, o episódio evidenciou fragilidade na coordenação política e abriu um desgaste direto entre duas figuras centrais do governo.
O caso agora deixa marcas na relação entre Messias e Wagner, colocando em xeque a confiança interna e ampliando a pressão por uma reorganização da articulação política no Congresso.