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Reduto lulista, Nordeste tem alta maior no custo de vida do que o restante do país
Inflação de alimentos, aluguel, combustíveis e gás de cozinha pesa mais nas capitais nordestinas e pressiona orçamento das famílias
11/05/2026 07h47
Por: Gabriel Seixas Fonte: O Globo
Reprodução / O Globo

Moradores do Nordeste têm sentido de forma mais intensa os impactos da inflação no bolso. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, os preços de itens essenciais como alimentação, combustíveis, aluguel e gás de cozinha subiram mais nas principais cidades da região do que na média do restante do país. 

O levantamento mostra que, entre as dez capitais brasileiras com maior aumento no valor da cesta básica entre janeiro e março deste ano, seis estão no Nordeste. Recife aparece entre os destaques, com a cesta básica chegando a R$ 654,62 e acumulando alta de 9,82% no período. Em comparação, São Paulo, apesar de possuir a cesta mais cara do país, registrou aumento menor, de 4,49%.

Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias estão o feijão-carioca, que teve aumento de até 27% em Salvador, além das carnes e da farinha de mandioca, que também apresentaram reajustes expressivos em capitais nordestinas. Especialistas apontam que fatores como problemas climáticos, redução da oferta e menor área de plantio ajudaram a impulsionar os preços.

Os combustíveis também tiveram forte impacto na inflação regional. Desde o agravamento do conflito envolvendo o Irã, a gasolina acumulou aumento superior a 10%, enquanto o diesel registrou alta acima de 26%, elevando os custos do transporte e influenciando diretamente o preço de outros produtos. 

O gás de cozinha também ficou mais caro no Nordeste, com alta média de 4,82%, chegando a 8,38% no Maranhão, onde o botijão ultrapassou R$ 125 em média. Já os aluguéis registraram aumento em cidades como Aracaju, Maceió, Natal, Recife e João Pessoa. 

Outro fator que agrava o cenário é a renda média domiciliar per capita da região, estimada em R$ 1.340, valor bem abaixo da média nacional, de R$ 2.068. Economistas afirmam que a combinação entre menor renda, logística mais cara e maior dependência de produtos vindos de outras regiões faz com que a inflação tenha um impacto ainda maior sobre as famílias nordestinas.