Geral Saúde
SUS passa a oferecer teste genético para identificar risco hereditário de câncer de mama
Exame vai detectar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao desenvolvimento de câncer de mama e ovário
15/05/2026 01h16
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Divulgação

O Sistema Único de Saúde passará a oferecer testes genéticos para identificar mutações associadas ao risco hereditário de câncer de mama. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada na quarta-feira (13) no Diário Oficial da União (DOU).

A incorporação do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) permitirá a análise dos genes BRCA1 e BRCA2, mutações relacionadas ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de mama, ovário e outros tipos da doença.

A inclusão do exame no SUS ocorreu após solicitação da Sociedade Brasileira de Mastologia à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por avaliar novos protocolos, tratamentos e tecnologias na rede pública.

Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Mastologia, pessoas com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam risco significativamente maior de desenvolver câncer de mama e ovário ao longo da vida.

A mastologista Alessandra Borba, presidente do Departamento de Oncogenética da entidade, explicou que a mutação no gene BRCA pode representar risco entre 60% e 80% para câncer de mama e entre 20% e 40% para câncer de ovário.

O tema ganhou repercussão internacional em 2013, após a atriz Angelina Jolie revelar ter realizado uma mastectomia preventiva após descobrir mutação genética no gene BRCA1.

De acordo com a portaria, o SUS terá prazo de até 180 dias para iniciar a oferta do sequenciamento genético. Até então, o exame era disponibilizado principalmente na rede privada, com custos entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, além de iniciativas estaduais específicas.

Especialistas apontam que a identificação precoce das mutações pode auxiliar na adoção de estratégias preventivas, incluindo acompanhamento intensivo, cirurgias redutoras de risco e tratamentos direcionados.

A Sociedade Brasileira de Mastologia informou ainda que a implementação deverá ocorrer de forma gradual, inicialmente voltada para uma população-alvo específica, com possibilidade de ampliação futura para novos grupos e outros genes associados ao câncer hereditário.