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Baleias-jubarte chegam mais cedo e ampliam áreas de avistamento na costa brasileira
Registros desde abril em São Paulo e no Rio de Janeiro reforçam avanço da preservação e indicam crescimento da população da espécie no país
18/05/2026 11h17 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Anderson Almeida Fonte: Ascom / Projeto Baleia Jubarte
Marcelo Gah / @droneadventuresr

As baleias-jubarte têm sido avistadas cada vez mais cedo e em maior número na costa brasileira. Desde o dia 11 de abril, registros já foram feitos em Ilhabela, Ubatuba e Bertioga, no litoral de São Paulo, além de pontos do Rio de Janeiro, incluindo Copacabana, Barra da Tijuca e Arraial do Cabo.

O fenômeno ocorre justamente no ano em que o Projeto Baleia Jubarte celebra 30 anos de parceria com a Petrobras, o que, segundo os pesquisadores, reforça os resultados positivos das ações de pesquisa, monitoramento e proteção da espécie.

A coordenadora de pesquisa da base do projeto em Ilhabela, a bióloga Rafaela Souza, destacou a importância do trabalho preventivo para garantir que o turismo de observação ocorra de forma segura. "é sempre emocionante ouvir os relatos de avistamento e cada vez mais cedo. Nós também nos preparamos cada vez mais cedo para monitorar, manter a pesquisa e auxiliar as operadoras de turismo que saem para o mar para o avistamento de baleias para que tudo corra dentro da normalidade". Ela também citou ações educativas realizadas durante a “Baleia Week” e visitas às escolas. "tudo está pronto para a alta temporada de avistamentos. Nosso espaço aqui em Ilhabela tem recebido cada vez mais pessoas que vem buscar informações sobre o trabalho de proteção e os cuidados que se deve ter na avistagem das baleias".

No Rio de Janeiro, o biólogo e pesquisador Guilherme Maricato afirmou que o aumento das aparições demonstra que as jubartes estão mais seguras na navegação pela costa. "Esse ano vamos ter novamente nossa exposição e posto de avistagem no Pão de Açúcar em parceria com o Parque Bondinho Pão de Açúcar. É um local de grande concentração de turistas e ficar lá do alto procurando e avistando as baleias é sempre emcionante. Além disso, estamos programando nossas saídas de pesquisa principalmente para as áreas de Arraial do Cabo e Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro."

O vice-presidente do Projeto Baleia Jubarte, Enrico Marcovaldi, também celebrou a expansão das áreas de ocorrência e lembrou que, décadas atrás, a espécie era considerada praticamente extinta no país. "Entre idas e vindas entre Abrolhos de Caravelas, no sul da Bahia, descobrimos a presença das baleias naquela área, o que foi uma surpresa. A minha geração tinha a baleia-jubarte quase como lenda, um animal já praticamente extinto. Então depois de quase 40 anos trabalhando com as baleias, elas tiveram o crescimento da população, o repovoamento de antigas áreas onde elas não frequentavam mais. E uma delas, há pelo menos 10 anos, é o Rio de Janeiro. Então para mim, é muito emocionante, tem um simbolismo muito forte porque depois de tanto tempo volto para minha terra natal e...as baleias estão lá."

De acordo com o Projeto Baleia Jubarte, em 1986 a população estimada era de 500 a 800 baleias, enquanto atualmente a previsão é de que mais de 30 mil jubartes passem pela costa brasileira para acasalar e ter filhotes. A instituição atua há mais de 35 anos na pesquisa e conservação da espécie, em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, além de integrar a Rede BIOMAR, que reúne outras iniciativas voltadas à preservação da biodiversidade marinha no Brasil.