Política em Foco Caso Master
Polícia Federal rejeita proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro
Investigadores apontaram omissões no material apresentado pela defesa do banqueiro preso na Operação Compliance Zero
20/05/2026 23h47
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero. A decisão foi comunicada aos advogados do empresário e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

Apesar da rejeição pela Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode analisar a proposta de forma individual. O acordo vinha sendo negociado conjuntamente entre PF e PGR, mas o órgão ainda não se manifestou oficialmente sobre o material apresentado pela defesa.

Segundo investigadores, a proposta continha poucas informações inéditas em relação ao que já havia sido apurado durante as investigações. A avaliação interna da PF é de que Daniel Vorcaro teria omitido informações consideradas relevantes e tentado preservar pessoas apontadas como integrantes do núcleo central do esquema investigado.

De acordo com as investigações, perícias realizadas em parte dos celulares apreendidos com o banqueiro indicariam indícios de fraudes financeiras, corrupção, organização criminosa, monitoramento ilegal e utilização de uma suposta milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques contra adversários.

Nesta terça-feira (19), após pedido da Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Antes, ele permanecia em uma sala especial utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.

Segundo informações das investigações, Vorcaro havia sido transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF em 19 de março. Um dia antes, a defesa do banqueiro informou às autoridades o interesse em negociar um acordo de colaboração premiada.

Ainda conforme as apurações, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade e, no início deste mês, entregou às autoridades os anexos da proposta de delação em um pen drive.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção, monitoramento ilegal e atuação de uma organização criminosa ligada ao Banco Master.

A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro e outros executivos foram presos. Desde então, a investigação avançou sobre familiares, aliados políticos, policiais e supostas movimentações financeiras ligadas ao esquema.

Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro é apontado como principal articulador das fraudes investigadas.