O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República.
A decisão atende a uma representação apresentada pelo PL, que questionou a metodologia utilizada no levantamento. Segundo o partido, parte do questionário poderia influenciar a percepção dos entrevistados ao abordar, em sequência, temas relacionados ao Banco Master e ao vazamento de conversas envolvendo o senador.
Na decisão, Nunes Marques afirmou que existem indícios de possível indução das respostas dos participantes, o que poderia comprometer a neutralidade metodológica da pesquisa. Para o magistrado, os questionamentos apresentados pelo partido justificam a adoção de uma medida cautelar até que a situação seja analisada de forma mais aprofundada.
O ministro também determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para esclarecer os procedimentos adotados durante a elaboração do estudo, incluindo informações sobre recursos utilizados na pesquisa. O Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar no processo.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, com 5.032 entrevistados em todo o país. O levantamento havia sido divulgado após a repercussão de áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão da Justiça Eleitoral e afirmou que está colaborando com o tribunal para fornecer todas as informações solicitadas. A empresa sustenta que o conteúdo questionado não foi apresentado aos entrevistados durante a aplicação do questionário principal e que os procedimentos adotados seguiram critérios técnicos e científicos.
Segundo o instituto, eventuais avaliações de conteúdo audiovisual ocorreram apenas após o encerramento definitivo das respostas da pesquisa, em ambiente separado e sem possibilidade de alteração das informações já registradas pelos participantes.
A decisão individual será submetida à análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral em sessão prevista para terça-feira (9), quando os demais ministros da Corte poderão confirmar, modificar ou revogar a medida cautelar.
O caso ocorre em meio ao aumento da movimentação pré-eleitoral para as eleições presidenciais de 2026 e amplia o debate sobre os critérios metodológicos adotados por institutos de pesquisa durante o período eleitoral.