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El Niño é confirmado e pode provocar calor intenso e atraso das chuvas na Bahia
Especialistas alertam para impactos na Região Metropolitana de Salvador e em cidades do interior diante da possibilidade de um dos eventos mais fortes das últimas décadas
12/06/2026 14h21
Por: Anderson Almeida Fonte: Ascom / Embasa - PCE
Divulgação / Ascom Embasa - PCE

A confirmação da formação do fenômeno El Niño, anunciada pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), acendeu o alerta para possíveis impactos climáticos em Salvador, na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e em diversas cidades do interior da Bahia. O tema foi discutido nesta quinta-feira (11), durante um seminário técnico realizado na capital baiana, voltado ao monitoramento da qualidade da água e à gestão de mananciais em meio às mudanças climáticas.

De acordo com a agência norte-americana, há 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito forte, podendo figurar entre os eventos mais significativos registrados desde 1950. O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e costuma influenciar diretamente os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país.

Segundo o coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Aldírio de Almeida, a Bahia deverá enfrentar temperaturas mais elevadas, ondas de calor frequentes e atraso no início do período chuvoso. "Aquelas chuvas que normalmente iniciariam aqui na Bahia entre os meses de setembro e outubro devem ocorrer mais para o final do ano, o que acaba gerando uma forte pressão sobre os recursos hídricos no estado", alerta o meteorologista.

O especialista também destacou a possibilidade de ocorrência das chamadas secas-relâmpago, especialmente caso o fenômeno alcance maior intensidade no segundo semestre. "São secas que se formam em um curto período de tempo, decorrentes de temperaturas muito mais elevadas, que aumentam a evapotranspiração, intensificam o estresse da vegetação e provocam déficit acentuado de precipitações", descreve.

Diante desse cenário, medidas de monitoramento e gestão dos recursos hídricos vêm sendo intensificadas em reservatórios estratégicos da Bahia. Entre eles estão Pedra do Cavalo e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento de parte da Região Metropolitana de Salvador, além dos reservatórios de Pedras Altas, Aracatu e Floresta Azul, que atendem cerca de 350 mil pessoas em municípios do interior do estado.

"A modelagem hidrodinâmica oferece ferramentas que nos permitem compreender melhor o comportamento dos mananciais, qualificando a tomada de decisões operacionais tanto em situações de excesso de chuvas quanto, principalmente, nos períodos em que a recarga dos reservatórios fica comprometida pela falta de precipitações, cenário esperado para o segundo semestre", explica Fabrício Tourinho. Durante o seminário, especialistas também discutiram temas relacionados à sustentabilidade, inovação na gestão da água, saneamento, gerenciamento de resíduos e emissões de gases de efeito estufa.