O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (14) a conclusão de um acordo com o Irã para encerrar o conflito militar iniciado no fim de fevereiro. O entendimento foi divulgado em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, poucas horas após ataques israelenses contra áreas do Líbano e novas ameaças de retaliação na região.
Segundo Trump, o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo, além da suspensão imediata do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
A negociação teve mediação do Paquistão. De acordo com autoridades paquistanesas, a assinatura formal do memorando de entendimento deve ocorrer na próxima semana, marcando o início de uma nova etapa de negociações entre Washington e Teerã.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo foi concluído e autorizou a reabertura da passagem marítima.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu.
Do lado iraniano, o anúncio foi recebido como uma conquista diplomática. O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, confirmou a suspensão do bloqueio naval e declarou o encerramento das operações militares em diferentes frentes do conflito, incluindo o Líbano.
Segundo o representante iraniano, a assinatura oficial do acordo está prevista para sexta-feira (19), na Suíça. Após a formalização, será aberto um prazo de 60 dias para a negociação dos pontos mais delicados do tratado, condicionado ao cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.
“O inimigo, que atacou para implementar seus objetivos nefastos, sofreu derrota [...], e a República Islâmica do Irã obteve grandes vitórias na guerra”, declarou Gharibabadi à imprensa estatal. “Este memorando não significa confiança no inimigo e foi redigido com desconfiança. Monitoraremos o cumprimento dos compromissos dos EUA.”
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informou que equipes técnicas dos países envolvidos deverão se reunir ao longo desta semana para preparar os detalhes da assinatura oficial.
Apesar do anúncio, temas considerados sensíveis permanecem em negociação.
Entre as principais exigências de Teerã estão a retirada das sanções econômicas primárias e secundárias impostas pelos Estados Unidos, a revogação de resoluções condenatórias aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU e pela Agência Internacional de Energia Atômica, além da liberação de recursos financeiros iranianos congelados no exterior.
Outro ponto de divergência envolve o programa nuclear iraniano. Historicamente, a Casa Branca defende o desmantelamento completo das atividades nucleares do país. Já o governo iraniano insiste na manutenção da capacidade de enriquecimento de urânio para fins civis.
Ataque no Líbano elevou tensão
O anúncio do acordo ocorreu poucas horas após um bombardeio israelense em um distrito ao sul de Beirute, no Líbano.
A ação gerou críticas públicas de Trump ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O presidente norte-americano afirmou que a ofensiva não deveria ter ocorrido em um momento considerado decisivo para as negociações de paz.
“O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial como este, em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã. Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar”, publicou.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta atribuída aos Estados Unidos e a Israel contra o Irã. Em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra bases norte-americanas na região do Golfo.
Em 2 de março, o grupo Hezbollah passou a integrar diretamente o conflito, levando Israel a ampliar sua ofensiva militar em território libanês.
Uma trégua parcial entre Washington e Teerã foi anunciada em 8 de abril, reduzindo os confrontos diretos entre os dois países. As negociações mediadas pelo Paquistão avançaram ao longo dos meses seguintes e culminaram no anúncio do novo acordo de cessar-fogo e reabertura das rotas marítimas.