Política em Foco Caso Master
PGR nega nova proposta de delação de Vorcaro e comunica decisão ao STF
A segunda proposta de delação premiada já havia sido negada pela Polícia Federal. Vorcaro está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras quando era dono do Master.
15/06/2026 22h14
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou nesta segunda-feira (15) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob acusação de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras.

A decisão acompanha o posicionamento adotado pela Polícia Federal (PF), que já havia negado a nova proposta na semana passada. Segundo a manifestação encaminhada ao STF, a avaliação da PGR é que o material apresentado pela defesa não trouxe elementos inéditos em relação às informações já obtidas durante as investigações.

O entendimento foi compartilhado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e pelos integrantes do Ministério Público Federal que atuam no caso. De acordo com a análise, parte das informações fornecidas pela defesa já era de conhecimento dos investigadores e, em alguns pontos, divergia dos dados reunidos ao longo da apuração.

Outro fator considerado pela PGR foi a ausência de um compromisso efetivo para a devolução de recursos supostamente desviados. O Ministério Público defendia que Vorcaro sinalizasse a restituição de pelo menos R$ 60 bilhões aos cofres públicos como condição para o avanço das negociações.

Esta foi a primeira manifestação formal da PGR sobre a proposta de colaboração. Após a primeira negativa da Polícia Federal, o órgão ainda manteve tratativas com os advogados do ex-banqueiro antes de analisar os documentos complementares apresentados pela defesa.

Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é investigado por supostamente liderar um esquema de fraudes financeiras que, segundo estimativas da Polícia Federal, pode ter causado prejuízos de até R$ 12 bilhões. As acusações estão relacionadas ao período em que ele era proprietário do Banco Master.

Após rejeitar a nova proposta de delação, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a transferência de Daniel Vorcaro da Superintendência da corporação, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda.

De acordo com fontes ligadas às investigações, a permanência do ex-banqueiro nas dependências da PF poderia comprometer o andamento das apurações em curso.

O pedido será analisado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso. Antes de uma decisão, a Procuradoria-Geral da República também deverá se manifestar sobre a solicitação.

Nos acordos de colaboração premiada, cabe à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal negociar os termos relacionados ao ressarcimento de valores. Posteriormente, o acordo precisa ser homologado pelo ministro relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

Conforme entendimento firmado pelo STF em 2024, a devolução dos recursos deve priorizar o ressarcimento à União, preservando os direitos das vítimas.

Nesse contexto, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) figura entre os principais interessados na recuperação dos valores. A entidade privada, mantida por instituições financeiras para proteger clientes em casos de quebra bancária, desembolsou bilhões de reais para indenizar investidores afetados após a liquidação do Banco Master.