Uma ex-servidora do município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, denunciou ter sido vítima de perseguição política após ser demitida do Hospital Municipal. A técnica em radiologia Vivian Freitas Viana afirma que foi desligada da função no domingo (8) e atribui a decisão a suas manifestações de apoio ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). O caso ganhou repercussão nesta terça-feira (16), após a divulgação de relatos e publicações da ex-servidora nas redes sociais.
Rio de Contas é administrado pelo prefeito Célio Evangelista da Silva (PSD), aliado político do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Em publicações feitas na internet, Vivian classificou a situação como uma "ditadura" e alegou ter sofrido retaliação por suas posições políticas.
Segundo o relato da ex-servidora, a situação teve início após ela ser orientada pela direção do hospital a participar de um evento relacionado à visita do governador ao município. Vivian afirmou que informou previamente sua posição política e que, posteriormente, não conseguiu comparecer ao compromisso por precisar levar um animal de estimação para atendimento veterinário de urgência em Livramento de Nossa Senhora.
Dias depois, ela relata ter sido convocada para uma reunião na Secretaria Municipal de Saúde, ocasião em que teria sido comunicada sobre seu desligamento. Conforme seu depoimento, ao questionar se a decisão possuía motivação política, recebeu a confirmação de que publicações relacionadas a ACM Neto teriam sido um dos motivos para a medida.
“Eu perguntei se era questão política. Ela respondeu: ‘é, Vivian, você estava postando coisas do ACM Neto’. Eu falei assim: ‘mas eu sou a favor do ACM Neto. O que que tem a ver isso com prefeito? Não tem nada a ver isso. Eu votei em Célio, eu não votei na esquerda, eu votei só nele’. Mas estão perseguindo muito a gente”, declarou.
Em outra publicação nas redes sociais, Vivian afirmou que foi demitida da função de técnica em radiologia por "perseguição política" e criticou a administração municipal. Ela também alegou que outros servidores teriam enfrentado situações semelhantes em razão de posicionamentos políticos.
“Tinha uma moça que trabalhava na escola por 17 anos, foi demitida também. E a questão de tirar fotos… eu não sabia que ACM Neto iria estar aqui, senão eu teria ido mesmo de noite, tirado a foto e voltava pra casa”, afirmou.
Em uma das postagens, a ex-servidora declarou que sua demissão ocorreu após ter compartilhado conteúdos relacionados a ACM Neto e criticou o que considera falta de liberdade de expressão no ambiente político local. Ela também afirmou que não pretende retornar ao cargo e fez críticas às condições de trabalho que enfrentava no hospital.
Até o momento da publicação desta matéria, não havia sido divulgado posicionamento oficial da Prefeitura de Rio de Contas ou da Secretaria Municipal de Saúde sobre as acusações feitas pela ex-servidora.