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Após operação da PF, Jaques Wagner anuncia afastamento da liderança do Governo Lula no Senado
Senador baiano afirma que decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Lula e diz que prioridade será provar sua inocência e atuar nas eleições de 2026
24/06/2026 22h00 Atualizada há 5 dias atrás
Por: Anderson Almeida Fonte: Mais Região
Senado Federal do Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24), por meio das redes sociais, que deixará a liderança do Governo Federal no Senado. Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante uma reunião realizada nesta semana.

O afastamento ocorre em meio aos desdobramentos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (18). A investigação apura um suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master e seus principais operadores.

Entre os alvos da operação está Jaques Wagner, que até então exercia a função de líder do governo Lula no Senado Federal. De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, uma das diligências autorizadas pela Justiça foi realizada na residência do senador, em Salvador.

Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas e apreensões, a Polícia Federal executou medidas cautelares, incluindo a proibição de contato entre investigados e a suspensão de passaportes.

Segundo a PF, a investigação apura suspeitas dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A nova etapa da operação busca esclarecer a eventual participação de agentes públicos em um esquema que teria ligação com negócios envolvendo o Banco Master.

Outro alvo da operação é o empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A relação entre Augusto Lima e agentes políticos da Bahia passou a ser analisada pelos investigadores ao longo do avanço das apurações.

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo em maio deste ano, Jaques Wagner afirmou conhecer Augusto Lima desde o processo de privatização da antiga rede estatal Cesta do Povo, durante sua gestão como governador da Bahia. Na ocasião, o senador declarou que nunca tratou com o empresário sobre a Cesta do Povo após a venda do negócio e negou qualquer envolvimento em irregularidades.

O anúncio do afastamento aumenta a repercussão política do caso e coloca um dos principais articuladores do Palácio do Planalto no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao comunicar a decisão, Wagner afirmou que o foco, neste momento, será sua defesa e a atuação política visando as eleições de 2026.

“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, escreveu em suas redes sociais.