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Homem é preso após usar ChatGPT para planejar morte do próprio filho, diz polícia
Suspeito foi detido um dia antes da data em que, segundo a Polícia Civil, pretendia colocar o plano em prática; caso contou com cooperação entre autoridades brasileiras e o FBI.
27/06/2026 10h20
Por: Redação Fonte: Mais Região
Reprodução/Polícia

Um agricultor de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, após uma investigação apontar que ele utilizava uma ferramenta de inteligência artificial para planejar o assassinato do próprio filho, de 8 anos. Segundo a Polícia Civil, o objetivo seria evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira, mãe da criança.

A prisão preventiva foi cumprida no último dia 19 de junho, um dia antes da data em que o investigado supostamente pretendia executar o crime. O nome do suspeito não foi divulgado pelas autoridades.

As investigações tiveram início após um alerta compartilhado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com informações repassadas por autoridades dos Estados Unidos, incluindo o FBI. De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, os dados indicavam risco concreto à integridade da criança.

Segundo o delegado Brenno Andrade, responsável pelo caso, o suspeito realizou diversas pesquisas envolvendo formas de matar o filho, incluindo o uso de armas, veneno e até a contratação de um pistoleiro. As investigações também apontam que ele manifestava interesse em promover ataques em massa em escolas e igrejas.

Ainda conforme a polícia, em uma das conversas analisadas, o investigado afirmava já possuir uma arma de fogo, uma corda e cianeto, além de mencionar a intenção de provocar o maior número possível de vítimas em futuros ataques.

A empresa responsável pela plataforma de inteligência artificial identificou o conteúdo das conversas e encaminhou as informações ao FBI, que compartilhou os dados com o CyberLab, do Ministério da Justiça. O órgão brasileiro, por sua vez, acionou a Polícia Civil do Espírito Santo para adoção das medidas cabíveis.

"O trabalho integrado entre instituições nacionais e internacionais tem sido fundamental para o sucesso das investigações cibernéticas", destacou o delegado Brenno Andrade.

O agricultor foi abordado enquanto saía do trabalho. Durante a ação, policiais apreenderam o celular e outros pertences, que foram encaminhados para perícia pela Polícia Científica.

Em depoimento, o suspeito admitiu ter realizado as pesquisas, mas negou que tivesse intenção de matar o filho ou de colocar qualquer plano em prática. Apesar da negativa, a Polícia Civil afirma que o conteúdo das conversas indica um planejamento detalhado dos crimes.

A investigação agora busca confrontar as informações obtidas nas conversas com os dados extraídos do aparelho celular, para verificar se houve alguma providência concreta para a execução dos crimes ou eventual contratação de terceiros.

Inicialmente, o homem foi preso pelos crimes de ameaça e incitação ao crime. A Polícia Civil informou que os indiciamentos definitivos serão definidos após a conclusão das investigações.