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Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher em meio a crise com Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama afirmou que vai se dedicar ao marido e à filha; decisão ocorre após desentendimento público com o senador sobre articulações políticas do partido
30/06/2026 23h39
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Igo Estrela/Metrópoles

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira (30), que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, ela informou que a decisão foi tomada após conversar com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e comunicá-la ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Segundo Michelle, o objetivo é dedicar-se integralmente aos cuidados com o marido e com a filha. O anúncio ocorre em meio ao desgaste provocado por um desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Na condição de presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar, integralmente, aos cuidados para com o meu marido e minha filha", afirmou Michelle na nota.

Segundo informações divulgadas, Michelle chegou a informar a Valdemar Costa Neto que pretendia deixar o Partido Liberal, mas foi convencida a permanecer na legenda após conversas com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Em vez de se desfiliar, optou por deixar o comando do PL Mulher.

A ex-primeira-dama também comunicou a aliados que desistiu, neste momento, de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. De acordo com relatos de pessoas próximas, a decisão foi motivada pelo desgaste provocado pela crise política e pela repercussão do conflito com Flávio Bolsonaro. Aliados ainda tentam convencê-la a reconsiderar essa posição antes das convenções partidárias.

O desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro tornou-se público após a divulgação de vídeos em que a ex-primeira-dama relatou ter sido "humilhada", "maltratada" e "desrespeitada" pelo senador durante uma ligação telefônica sobre as estratégias eleitorais do Partido Liberal no Ceará. Segundo Michelle, Flávio afirmou que ela deveria se afastar das decisões partidárias e que, por ter ingressado recentemente na política, não teria experiência suficiente para opinar sobre as articulações da legenda.

A divergência teve origem nas discussões sobre o posicionamento do partido no Ceará. Michelle era contrária à aproximação do PL com o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, enquanto Flávio Bolsonaro defendia a articulação política. A ex-primeira-dama também acusou aliados do senador de promoverem ataques à sua imagem nas redes sociais e classificou a situação como uma "punhalada nas costas".

Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que nunca teve a intenção de ofender Michelle. O senador declarou que, caso ela tenha se sentido desrespeitada, pedia desculpas, destacou a importância da ex-primeira-dama para o PL Mulher e para o cuidado com Jair Bolsonaro e afirmou que sua prioridade era preservar a união da família e reduzir os desgastes públicos. Dias depois, durante agenda de pré-campanha, disse considerar o episódio uma "página virada" e evitou ampliar a discussão.

Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, Michelle também demonstrou preocupação com os impactos da repercussão da crise sobre as filhas e afirmou que pretende priorizar os cuidados com Jair Bolsonaro. Ela também teria informado a aliados que não pretende participar de eventual campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, caso ele dispute o cargo, e que, neste momento, não pretende integrar atos de pré-campanha do senador.

Após a decisão de Michelle de deixar o comando do PL Mulher, Valdemar Costa Neto comentou o episódio e afirmou: "O PL cresceu demais, e eu entendo que as divergências crescem também. É natural isso".