Geral Violência
Mulheres baleadas em Salvador e RMS chegam a 40 em 2026; mais da metade morreu
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado registra 21 mortes e 19 mulheres feridas; feminicídio da cabo da PM Celeste reacende debate sobre violência armada
04/07/2026 20h11
Por: Luana Velloso
Foto: Reprodução

Quarenta mulheres foram baleadas em Salvador e na Região Metropolitana (RMS) entre janeiro e sexta-feira (3), segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Do total, 21 morreram e 19 ficaram feridas. O caso mais recente ocorreu na tarde de sexta-feira (3), no bairro do Barbalho, em Salvador, quando a cabo da Polícia Militar da Bahia (PMBA) Celeste Martins Oliveira do Nascimento, de 39 anos, foi morta a tiros dentro da própria residência. O principal suspeito é o companheiro da vítima, também policial militar, que se apresentou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhado de um advogado, e foi preso em flagrante.

Os números do Instituto Fogo Cruzado evidenciam o avanço da violência armada contra mulheres na capital e na Região Metropolitana. Até sexta-feira (3), foram contabilizadas 40 vítimas baleadas, sendo 21 mortes e 19 sobreviventes. No mesmo período, o instituto registrou 37 agentes de segurança baleados, dos quais 11 morreram e 26 ficaram feridos.

O assassinato da cabo Celeste Martins Oliveira do Nascimento reforça um dos principais recortes da violência letal contra mulheres na Bahia: os crimes praticados por companheiros ou ex-companheiros dentro do ambiente doméstico. Conforme a Polícia Civil, informações preliminares apontam que o policial militar efetuou os disparos contra a vítima dentro da residência do casal e deixou o imóvel em seguida. Depois, apresentou-se espontaneamente na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde permaneceu à disposição das autoridades.

Dados oficiais reunidos pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) mostram que o estado registrou 891 feminicídios entre 2017 e 2025. Somente em 2025, foram contabilizados 102 casos, média de uma mulher morta por motivação de gênero a cada quatro dias. O perfil predominante das ocorrências aponta mulheres negras, entre 30 e 49 anos, como principais vítimas. Em cerca de 90,5% dos casos, o autor é parceiro ou ex-parceiro íntimo, enquanto 84,4% dos crimes acontecem dentro da residência da vítima. As armas de fogo representam 29,9% dos meios utilizados nos feminicídios registrados no estado.

No cenário nacional, o primeiro trimestre de 2026 foi o mais letal para mulheres da série histórica, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). No período, a Bahia registrou 25 feminicídios, ocupando a quarta posição entre os estados com maior número absoluto de casos, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Além de integrar as estatísticas de mulheres baleadas, o caso da cabo Celeste também impacta os indicadores envolvendo agentes de segurança pública. O Instituto Fogo Cruzado contabiliza 37 profissionais baleados na RMS em 2026, número superior ao total registrado durante todo o ano de 2025, quando foram 25 ocorrências. Até o início de julho deste ano, 11 agentes morreram e 26 ficaram feridos.