A decisão da Fifa de suspender os efeitos do cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun ganhou novos desdobramentos após uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O chefe de Estado afirmou ter atuado diretamente junto à entidade máxima do futebol para que o jogador norte-americano fosse liberado para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo.
Durante um evento, Trump revelou que entrou em contato com um dirigente da Fifa para tratar do caso. Embora não tenha citado nominalmente Gianni Infantino, presidente da entidade, o republicano afirmou ter conversado com um "homem que é muito respeitado" e atribuiu a si o mérito pela mudança na decisão.
Sim, eu pedi uma revisão à Fifa. Falei com um homem que é muito respeitado e, por acaso, seu nível de respeito aumentou dez vezes. Eu sou quem os fez fazer isso [mudar decisão]. Não foi o Biden. O Biden estava dormindo"
Donald Trump - presidente dos Estados Unidos
Trump critica Raphael Claus
Além de comentar sua atuação no caso, Trump também direcionou críticas ao árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela expulsão de Balogun durante o confronto contra a Bósnia. O presidente norte-americano colocou em dúvida a atuação do juiz na partida.
O árbitro [Raphael Claus] é um pouco suspeito, se você verificar seu passado... Eu não quero dizer isso porque eu não gosto de criar controvérsia, mas ele é muito suspeito
Trump - presidente dos EUA
"Se você quiser, eu vou te mostro o passado dele. Ele tomou uma decisão que ninguém acreditou, sabe? Mesmo os adversários. Eles disseram: 'oh, nós tivemos sorte, uau!'", afirmou.
Trump também contou que, inicialmente, não compreendia as consequências de um cartão vermelho no futebol. Segundo ele, somente depois de ser informado de que a expulsão impediria Balogun de disputar a partida seguinte decidiu buscar uma solução junto à Fifa.
"Ele [Balogun] não fez nada de errado, é nosso melhor jogador ou um dos nossos melhores jogadores. Eu não sabia o que isso significava [cartão vermelho], não achei que significasse muito. Comecei a ouvir que isso significa que você não pode jogar no próximo jogo. Eu disse: "cara, isso é um pesado".
O caso Balogun
O atacante foi expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia, válida pela segunda fase da Copa do Mundo. Durante a partida, Balogun pisou no tornozelo do zagueiro Muharemovic. Inicialmente, Raphael Claus não aplicou o cartão vermelho, mas, após ser chamado pelo árbitro de vídeo (VAR), revisou o lance no monitor e mudou sua decisão, expulsando o jogador de forma direta.
A punição gerou forte repercussão nos Estados Unidos. De acordo com o jornal The New York Times, além da ligação feita por Donald Trump a Gianni Infantino, houve um esforço coordenado envolvendo advogados e órgãos do governo norte-americano para acelerar a revisão do caso.
Na tarde da última terça-feira, a Fifa anunciou a suspensão da punição com base no artigo 27 do Código Disciplinar da entidade. A medida colocou Balogun em período probatório de um ano. Caso o atacante cometa uma infração semelhante nesse intervalo, a suspensão poderá ser aplicada.
Após a decisão, Trump comemorou publicamente a mudança.
"Obrigado à Fifa por fazer o que é certo e reverter uma grande injustiça!", escreveu o presidente dos Estados Unidos na rede Truth Social.
Com a punição suspensa, Balogun ficou à disposição da seleção norte-americana para enfrentar a Bélgica, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, disputado em Seattle.
Bélgica contesta decisão
A Federação Belga de Futebol apresentou um recurso à Fifa para contestar a liberação do atacante. O documento foi protocolado menos de 24 horas antes da partida contra os Estados Unidos.
Em comunicado oficial, a entidade informou que não havia recebido da Fifa a decisão detalhada que fundamentou a suspensão da punição e afirmou ter tomado conhecimento da mudança apenas por meio da imprensa.
"Até o momento, a RBFA ainda não recebeu uma decisão ou qualquer explicação da Fifa sobre o assunto. Portanto, vê-se obrigada a contestar formalmente a elegibilidade do jogador em questão para a próxima partida.", declarou a Federação Belga.
Ainda segundo a entidade, a Fifa tratou o pedido de esclarecimentos como se fosse um recurso formal e estabeleceu um prazo reduzido para sua complementação.
"Como única resposta, a RBFA recebeu uma carta da Fifa informando que essa correspondência havia sido considerada um recurso, que um juiz já havia sido designado para analisá-lo e que a RBFA dispunha de apenas algumas horas para complementar esse recurso".
Por fim, a federação belga alegou que, conforme o próprio regulamento da Fifa, um recurso só poderia ser analisado após a divulgação da decisão fundamentada.
"A Fifa transformou esse pedido em um recurso e, em seguida, informou imediatamente que esse recurso seria declarado inadmissível", concluiu a entidade.