Mata de São João não enfrenta um surto de dengue. A informação foi confirmada pela gerente de Vigilância Epidemiológica do município, Fátima Grande, durante entrevista concedida na manhã desta sexta-feira (10) ao programa É do Povo, transmitido pela Rádio Sauípe FM (102,9).
Ao comentar o cenário da doença na cidade, a gestora explicou que o município possui casos suspeitos e confirmados de dengue, porém eles estão distribuídos em diferentes localidades, o que descaracteriza um surto. “Nós temos casos notificados, porém a gente não considera como um surto, porque entender o que é surto. Esses casos, eles estão disseminados, eles não estão localizados em uma única região. Então, assim, todos os casos estão sendo acompanhados pela parte da vigilância e pela parte da vigilância em conjunto com endemias. Endemias é o setor que faz o tratamento dos locais”, afirmou Fátima Grande.
A gerente também destacou que um dos desafios enfrentados pela Vigilância Epidemiológica é a possibilidade de subnotificação, já que muitas pessoas com sintomas leves deixam de procurar atendimento médico. “E internamente a gente faz o controle dos casos notificados. O que é que pode estar acontecendo? Subnotificação? Será que a gente não está sabendo? Porque a gente só notifica os casos, só registra esses casos que chegam para a gente.”
Segundo ela, além da dengue, outras viroses circulam atualmente e apresentam sintomas semelhantes, tornando o acompanhamento dos pacientes ainda mais importante. “Se você fica em casa e não vai até a unidade, a gente fica sem saber. Por quê? Porque alguns têm sintomas leves e nós temos diversas outras viroses presentes, acontecendo no município e em todo o mundo, na verdade. E os sintomas, eles são muito confusos. Por quê? Porque eles são muito parecidos. Mas tem alguns que fazem a diferença.”
Fátima ressaltou que a Vigilância Epidemiológica atua em conjunto com as equipes da Atenção Básica, do Pronto Atendimento de Praia do Forte e do Hospital Municipal de Mata de São João para monitorar todos os pacientes notificados e manter os dados atualizados. “Isso tudo também, em conjunto com as unidades de PSF, com o PA de Praia do Forte, com o Hospital Geral daqui de Mata de São João, a gente está acompanhando, está analisando esses pacientes que estão chegando, às vezes também chegando por uma outra situação, fazendo outras referências, para poder fechar, atualizar todos esses dados.”
Durante a entrevista, Fátima Grande apresentou os números mais recentes da dengue em Mata de São João. Ela explicou que a notificação não significa, necessariamente, a confirmação da doença, já que outras enfermidades podem apresentar sintomas semelhantes. “Hoje, eu posso lhe falar de dados, porque a vigilância epidemiológica, a gente faz esse acompanhamento. Então, nós tivemos registros em 2026 de 93 casos suspeitos. Quando eu notifico, eu não vou afirmar. Por eu notificar, eu não estou afirmando que esse caso seja um caso positivo. Nós temos outras diversas viroses que têm os mesmos sintomas.”
Na sequência, ela atualizou o balanço da Vigilância Epidemiológica. “Então, hoje nós temos 96 casos suspeitos de dengue, onde, confirmados, nós temos sete por laboratório, porque esses casos, para a gente confirmar, a gente só confirma ou por teste rápido, ou por exame de laboratório, através de um exame chamado RT-PCR.”
Segundo a gerente, as amostras são encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen), em Salvador, para confirmação dos casos. “Essa coleta, ela é realizada e encaminhada para o nosso laboratório de referência hoje do Estado, que é o LACEM, que fica em Salvador. E nós temos, não reagente, sete casos. Então, nós temos sete casos confirmados por laboratório, um caso confirmado por teste rápido e sete casos que foram negativos. E temos hoje, aguardando o resultado, 11 casos. Então, assim, quanto à dengue, esses são os dados que nós temos quanto à vigilância epidemiológica. Nós temos registros. Dentro da análise de hoje, a gente não considera como surto.”